Supremo tem maioria para derrubar restrição a conteúdos sobre gênero nas escolas

Julgamento discute limites da atuação dos estados em temas ligados à educação e diversidade.

Maioria dos ministros do STF vota contra lei que restringia aulas sobre gênero e diversidade sexual.

📸Reprodução/ Marcello Casal / AgênciaBrasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para invalidar uma lei do Maranhão que autorizava pais e responsáveis a impedirem a participação de estudantes em atividades escolares relacionadas à diversidade sexual, identidade de gênero e temas semelhantes.

Até o momento, seis ministros votaram pela derrubada da norma estadual durante julgamento realizado no plenário virtual da Corte, com previsão de encerramento às 23h59 desta sexta-feira (29). Já se manifestaram os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Relator do caso, Gilmar Mendes destacou que o STF já analisou tema semelhante anteriormente ao invalidar legislação do Espírito Santo. Segundo o ministro, cabe exclusivamente à União legislar sobre diretrizes educacionais envolvendo gênero, orientação sexual e identidade de gênero no ambiente escolar.

Os ministros Edson Fachin e Cristiano Zanin acompanharam o voto do relator, mas sugeriram que a decisão também determine que as escolas adaptem a abordagem pedagógica desses conteúdos conforme a idade, o desenvolvimento emocional e a etapa de ensino dos estudantes.

Ainda não há definição se essa observação passará a integrar oficialmente o entendimento final do Supremo.

A ação foi apresentada ao STF por entidades ligadas à defesa dos direitos da população LGBTQIA+, entre elas a Aliança Nacional LGBTI+, a Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas e o Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros.

O julgamento ocorre em ambiente virtual, modalidade em que os ministros registram seus votos eletronicamente, sem debate presencial. O resultado poderá ser alterado apenas se houver pedido de destaque ou solicitação de mais tempo para análise.

A discussão reacende o debate nacional sobre os limites da atuação dos estados na definição de conteúdos escolares e sobre o papel da educação no enfrentamento à discriminação e na promoção da diversidade dentro das instituições de ensino.

*Da Agência Fonte Exclusiva 

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