PGR defende manutenção da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro após divulgação de carta nas redes sociais

Paulo Gonet reconhece que publicação contrariou restrições impostas pelo STF, mas considera desproporcional o retorno do ex-presidente ao regime prisional.

PGR defende que Jair Bolsonaro permaneça em prisão domiciliar após divulgação de carta nas redes sociais e considera desproporcional o retorno ao sistema prisional.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se nesta sexta-feira (17) pela manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação, nas redes sociais, de uma carta de sua autoria publicada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parecer foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa se houve descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-chefe do Executivo.

A manifestação da PGR foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ao determinar a análise do caso, o magistrado destacou que Bolsonaro está proibido de utilizar redes sociais, inclusive de forma indireta, por meio de terceiros. Moraes também decidiu suspender temporariamente as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente.

PGR considera retorno à prisão desproporcional

No parecer enviado ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reconheceu que a divulgação da carta não está em conformidade com as restrições estabelecidas pela Corte. Ainda assim, avaliou que revogar a prisão domiciliar e determinar o retorno de Bolsonaro ao sistema prisional seria uma medida desproporcional.

Segundo Gonet, a elaboração e a divulgação de uma carta com conteúdo político-partidário não justificariam, sob o princípio da proporcionalidade, a revogação do benefício concedido por razões humanitárias.

O procurador também defendeu que o Supremo esclareça de forma mais precisa quais condutas são proibidas durante o cumprimento da prisão domiciliar, a fim de evitar novas dúvidas sobre o alcance das restrições impostas ao ex-presidente.

Defesa afirma que Bolsonaro não autorizou publicação

Ao STF, a defesa de Jair Bolsonaro informou que o ex-presidente não tinha conhecimento de que a carta seria publicada nas redes sociais pelo senador Flávio Bolsonaro.

Os advogados sustentam que Bolsonaro não autorizou a divulgação do conteúdo e, por isso, não teria descumprido deliberadamente as determinações estabelecidas pelo Supremo.

Prisão domiciliar foi concedida por razões humanitárias

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o ano passado, após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

O benefício foi concedido por motivos humanitários, após o ex-presidente passar por uma cirurgia e apresentar um quadro de pneumonia bacteriana. Desde então, ele permanece em tratamento médico sob as condições estabelecidas pelo STF.

Agora, caberá ao ministro Alexandre de Moraes analisar o parecer da Procuradoria-Geral da República e decidir se mantém as medidas atuais ou adota novas providências no caso.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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