O senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, acusou a Polícia Federal de tentar interferir na definição da relatoria das investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração foi feita nesta terça-feira (4), durante uma sabatina com candidatos à Presidência promovida pelo G4 e pelo site O Antagonista. Flávio não apresentou provas que sustentassem a acusação contra a corporação.
Durante o evento, o senador questionou a troca de um policial que participava das investigações e afirmou que a PF teria tentado direcionar os casos para outro ministro do Supremo Tribunal Federal.
Flávio também declarou que, “ao que tudo indica”, parte do dinheiro desviado no esquema de descontos irregulares de aposentados e pensionistas do INSS teria chegado à conta de Lulinha.
Até o momento, porém, não há confirmação pública de que recursos desviados tenham sido depositados diretamente em uma conta do filho do presidente. A afirmação representa uma acusação política do senador e não uma conclusão da Polícia Federal.
O que está sob investigação
Lulinha é alvo de investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. As apurações analisam suspeitas de tráfico de influência e corrupção em possíveis negócios intermediados junto a órgãos federais.
Uma das linhas investiga se ele teria recebido pagamentos indevidos relacionados ao esquema de descontos não autorizados em benefícios do INSS.
Outro inquérito apura a suspeita de que Lulinha tenha atuado em favor do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para facilitar contatos e negócios no Ministério da Saúde.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, a Polícia Federal pretende verificar se houve atuação para aproximar empresas ligadas ao empresário de integrantes do governo em um projeto envolvendo medicamentos à base de canabidiol.
A abertura dos inquéritos autoriza a realização de diligências, análise de documentos e coleta de depoimentos. A medida não significa que Lulinha tenha sido denunciado ou considerado culpado.
Defesa questiona investigação
A defesa de Fábio Luís afirmou que não havia sido formalmente comunicada sobre parte das apurações e que ainda não tinha acesso aos documentos que fundamentaram a abertura dos inquéritos.
Os advogados também criticaram uma eventual busca indiscriminada por elementos contra o empresário e disseram que aguardariam acesso integral aos autos para se manifestar.
O presidente Lula declarou anteriormente que não utilizaria o cargo para proteger o filho e que ele deveria ser investigado como qualquer outro cidadão.
Críticas ao Supremo
Durante a sabatina, Flávio Bolsonaro também voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes.
O candidato afirmou que decisões individuais do ministro ultrapassariam os limites constitucionais e atribuiu ao Senado responsabilidade por não reagir às medidas que considera abusivas.
Flávio citou ainda as discussões sobre a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, o sistema político precisa de alguém com “pulso firme” para enfrentar o que classificou como desequilíbrio entre os Poderes.
As falas foram apresentadas no contexto da campanha presidencial e representam o posicionamento político do candidato. Não houve, durante a sabatina, apresentação de decisões judiciais que comprovassem manipulação da relatoria pela Polícia Federal.
*Da Agência Fonte Exclusiva
