O governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países.
A decisão foi informada nesta terça-feira (4) por uma autoridade do Departamento de Estado americano e confirmada pelo Itamaraty. Maria Luiza ocupa o cargo de embaixadora brasileira nos Estados Unidos desde 2023.
Segundo o governo americano, a medida foi adotada em resposta à negativa de vistos brasileiros a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam visitar o país antes das eleições de outubro.
O governo brasileiro afirmou que os representantes americanos poderiam tentar interferir no processo eleitoral e lançar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas. Washington negou essa intenção e declarou que a viagem teria caráter institucional.
Impasse sobre novo embaixador
A disputa também envolve a demora do Brasil em conceder o agrément — autorização diplomática necessária — a Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
A indicação foi anunciada antes de Washington solicitar formalmente a concordância do governo brasileiro, procedimento normalmente adotado antes da divulgação pública de um nome. Autoridades em Brasília interpretaram a atitude como uma quebra do protocolo diplomático.
Sem a aprovação brasileira, Perez não pode assumir oficialmente o posto. O atraso poderá deixar a representação americana sem um embaixador confirmado durante o período eleitoral.
Medida pode ser revertida
O Departamento de Estado classificou a revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti como uma resposta baseada no princípio de reciprocidade.
Autoridades americanas afirmaram que a decisão foi adiada algumas vezes para permitir uma solução negociada. Segundo Washington, a medida poderá ser rapidamente revertida caso o Brasil reveja a negativa dos vistos e aprove o nome indicado para a embaixada.
A revogação do documento não significa necessariamente o rompimento das relações diplomáticas. A embaixadora também não foi declarada persona non grata, medida mais grave que poderia exigir sua retirada do país.
Itamaraty confirma decisão
O Itamaraty confirmou ter sido informado sobre a revogação, mas ainda não havia anunciado quais providências seriam adotadas em resposta.
O episódio amplia uma crise que já envolve disputas comerciais, acusações de interferência nas eleições brasileiras e divergências entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Até a atualização desta matéria, não havia sido informada a data em que a embaixadora deveria deixar os Estados Unidos nem como a representação diplomática brasileira seria conduzida enquanto o impasse permanecesse.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
