O Sistema Único de Saúde ampliou para até 100 mil por mês a capacidade de teleatendimentos destinados a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas on-line. A expansão passa a valer nesta terça-feira (4) e busca facilitar o acesso a orientação e acompanhamento em saúde mental.
O serviço começou a funcionar em março de 2026 e realizava, inicialmente, cerca de 600 atendimentos mensais. Segundo o Ministério da Saúde, o aumento da procura levou à ampliação da estrutura disponível.
O atendimento é gratuito, remoto e sigiloso. Além das pessoas que apostam, familiares e integrantes da rede de apoio também podem utilizar a ferramenta para receber acolhimento e orientação.
Como acessar o atendimento
Para utilizar o serviço, é necessário entrar no aplicativo ou na versão web do Meu SUS Digital e fazer login com a conta gov.br. Na página inicial, o usuário deve selecionar a opção “Miniapps” e, em seguida, clicar em “Problemas com jogos de apostas?”.
A plataforma apresenta um autoteste anônimo que avalia a relação da pessoa com as apostas. As respostas não são armazenadas. Quando o resultado indica risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é realizado automaticamente. Nos demais casos, o sistema apresenta orientações sobre os serviços disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial.
O atendimento digital funciona como uma porta de entrada para a rede pública. Conforme a necessidade, a pessoa também poderá ser orientada a procurar uma Unidade Básica de Saúde, um Centro de Atenção Psicossocial ou outro serviço presencial do SUS. A telessaúde complementa, mas não substitui integralmente, a assistência realizada nas unidades de saúde.
Mais de 1 milhão pediram autoexclusão
Mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram o bloqueio do próprio CPF em sites e aplicativos de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Entre os usuários, 35% apontaram a perda de controle sobre o jogo como motivo para abandonar as plataformas.
Outras justificativas apresentadas foram a decisão voluntária de interromper as apostas, dificuldades financeiras e recomendação de profissionais de saúde. A ferramenta de autoexclusão integra as ações conjuntas dos ministérios da Saúde e da Fazenda para reduzir os danos relacionados às apostas eletrônicas.
Sinais de alerta
Alguns comportamentos podem indicar que as apostas estão afetando a saúde e a rotina. Entre eles estão a dificuldade de reduzir ou interromper o jogo, gastar mais tempo ou dinheiro do que o planejado, esconder apostas da família e sentir ansiedade ou irritação quando não está jogando.
Também merecem atenção as mudanças no sono, na alimentação e no humor, o comprometimento das relações pessoais e profissionais, o endividamento e o uso das apostas como forma de escapar de problemas, tristeza ou frustração.
Entre os fatores que podem aumentar a vulnerabilidade estão o acesso fácil às plataformas, a exposição precoce aos jogos, a impulsividade, a solidão, o isolamento social e o histórico de ansiedade ou depressão.
O transtorno do jogo é reconhecido como uma condição de saúde mental associada a prejuízos financeiros, emocionais e familiares. Buscar ajuda ao perceber os primeiros sinais pode evitar o agravamento do quadro e facilitar a recuperação.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
