Uma nova geração está começando a nascer – literalmente. Nascidos a partir de 2025, os representantes da geração Beta prometem ser os mais conectados, adaptáveis e inovadores que já existiram. Prevê-se que crescerão em um mundo hipertecnológico, em que a inteligência artificial, a automação e as mudanças climáticas ditarão não apenas o mercado de trabalho, mas também a forma como vivem, aprendem e se relacionam.
Se a geração Alpha (2010-2024) foi a primeira totalmente digital e global, a Beta será a pioneira 100% moldada pela inteligência artificial e pela internet das coisas (IoT). “Diferente das gerações anteriores, que ainda passaram por um período de adaptação ao digital, as crianças Beta não conhecerão um mundo sem assistentes virtuais inteligentes, realidade aumenta da e ambientes personalizados por algoritmos”, explica Rafael Araujo, líder da WGSN Mindset Latam, empresa que prevê tendências de consumo, design de produtos e comportamento do consumidor.
O termo foi cunhado pelo pesquisador australiano Mark McCrindle (assim como a geração Alpha), autor do livro Generation Alpha: understanding our children and helping them thrive (“Geração Alpha: entendendo nossos filhos e ajudando-os a prosperar”, em tradução livre, ainda sem previsão de publicação no Brasil). De acordo com McCrindle, a geração Beta representará cerca de 16% da população global em 2035 e muitas dessas crianças viverão para ver o século 22.
Embora ainda estejam nascendo, especialistas já traçam algumas características que podem definir essa nova geração:
1. Altamente tecnológica
Se a Alpha nasceu com o iPad e o Instagram, a Beta crescerá com robôs domésticos, inteligência artificial personalizada e um mundo cada vez mais interconectado. Um exemplo? Em algumas casas, assistentes como Alexa ou Google Home já ajudam na rotina familiar, mas, para as crianças que estão nascendo, conversar com máquinas será tão natural quanto falar com os pais. Além disso, terão acesso a ambientes digitais extremamente sofisticados desde cedo. Jogos, educação e até interações sociais acontecerão de forma híbrida, misturando o real e o virtual. Elas também não vão apenas jogar videogames; poderão, por exemplo, explorar a história da Roma Antiga dentro de uma simulação de realidade aumentada, vivendo a experiência em primeira pessoa.
2. Autônoma e autodidata
Com o avanço da IA e das plataformas adaptativas de ensino, o aprendizado deve acontecer de forma diferente das gerações anteriores. Segundo a ONU, 65% das crianças irão trabalhar em profissões que ainda nem existem. Isso significa que o modelo tradicional de educação terá que mudar para acompanhar uma geração que aprenderá tanto ou mais com a tecnologia do que com os métodos convencionais. “Desde a forma de buscar na internet, a dinâmica de aprendizado escolar incorporando essas possibilidades e os impactos do ponto de vista criativo em que eles mesmos podem criar música, vídeos e outros formatos a partir de prompts. Mas é preciso também considerar que [os Betas] estarão mais suscetíveis a informações falsas com alto nível de precisão e grande facilidade de serem criadas”, analisa Araujo.
Por todo esse universo hightech, o papel da escola se torna ainda mais fundamental, em especial no que diz respeito à formação do ser humano, como explica a educadora Andrea Luize, coordenadora pedagógica do Instituto Vera Cruz (SP). “A escola precisa deixar de mirar apenas nos conteúdos e no acúmulo de informações. Isso está ao alcance de qualquer um hoje. A educação tem que ser ampla o suficiente para formar pessoas mais críticas, colaborativas, empáticas, ocupadas em cuidar do mundo que as cerca, que valorizem a diversidade – e a vejam como um bem -, que sejam responsáveis, comprometidas. Uma geração assim é exatamente o que o mundo futuro precisa!”, defende.
3. Consciente e sustentável
Se a geração Z iniciou o movimento de conscientização climática e a Alpha cresceu com essa preocupação, a Beta será a primeira a realmente sentir os impactos das mudanças ambientais desde o nascimento. O relatório da UNICEF A Situação Mundial da Infância 2024: o futuro da infância em um mundo de mudança aponta que as crianças viverão eventos climáticos extremos mais frequentes do que qualquer outra geração antes delas. Isso significa que crescerão mais atentas ao impacto ambiental de suas escolhas e terão um papel ativo na busca por soluções sustentáveis. Para os pais, surge a pergunta: como educar filhos que não apenas entendam esses valores, mas os pratiquem de forma genuína?
Segundo um estudo da United Nations Environment Programme, crianças que crescem em ambientes onde a sustentabilidade é incentivada desde cedo desenvolvem maior responsabilidade ambiental na vida adulta. Isso significa que hábitos simples – como separar o lixo, economizar água e reduzir o desperdício – podem impactar diretamente suas atitudes futuras. Portanto, incentive seu filho a cuidar de uma horta, reutilizar materiais em brincadeiras e entender a origem dos alimentos, por exemplo. Mostre vídeos, leia livros e discuta temas ambientais de forma acessível, explicando como pequenas atitudes fazem a diferença.
4. Desafios emocionais
Se por um lado a tecnologia trará autonomia e novas oportunidades, por outro, há desafios. Diversos estudos já mostram que crianças que crescem em ambientes hiperconectados podem apresentar dificuldades maiores em desenvolver habilidades sociais presenciais, bem como propensão à ansiedade e à solidão. “As crianças da geração Beta podem desenvolver uma tendência a buscar soluções prontas e imediatas, prejudicando o desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas e pensamento crítico. É crucial que os pais encontrem um equilíbrio, permitindo o uso da tecnologia como ferramenta, mas não como muleta cognitiva, ou seja, como o ponto de partida para qualquer busca de conhecimento”, afirma o psicólogo Matheus Karounis, professor da PUC-Rio.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da Crescer.
