O número de brasileiros que precisaram se afastar do trabalho por problemas de saúde mental voltou a chamar a atenção em 2025. Dados do Ministério da Previdência Social apontam mais de 546 mil concessões de benefícios por incapacidade temporária relacionadas a transtornos mentais e comportamentais. O volume representa um aumento superior a 15% em relação ao ano anterior, com ansiedade e episódios depressivos entre os principais motivos dos afastamentos.
Os números reforçam o debate sobre a influência das condições de trabalho na saúde psicológica. Rotinas marcadas por excesso de tarefas, cobranças constantes, pressão por resultados e pouca autonomia podem aumentar o desgaste emocional e contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas de saúde mental.
Descanso também faz parte da saúde mental
O psicólogo André Alves destaca que reconhecer os primeiros sinais de sofrimento emocional e procurar acompanhamento especializado são atitudes importantes para evitar que os sintomas se intensifiquem. Para ele, também é necessário reservar momentos de descanso e relaxamento, mesmo diante de uma rotina repleta de responsabilidades.
Segundo o especialista, o funcionamento mental depende do equilíbrio entre períodos de atividade e momentos de relaxamento. Enquanto a excitação está relacionada à atenção e às respostas exigidas pelo ambiente, o descanso permite diminuir o contato com as pressões externas e voltar o olhar para as próprias emoções e necessidades.
Essas pausas ajudam a processar preocupações, compreender sentimentos difíceis e recuperar recursos emocionais para enfrentar situações desafiadoras. Quando o descanso fica em segundo plano por muito tempo, a administração das emoções e a capacidade de lidar com as dificuldades do cotidiano também podem ser prejudicadas.
Por isso, cuidar da saúde mental não deve ser uma preocupação restrita aos momentos de crise. Reconhecer os próprios limites, manter uma rotina que permita a recuperação física e emocional e buscar ajuda quando necessário são medidas que contribuem para o bem-estar.
Empresas também precisam prevenir riscos psicossociais
A responsabilidade pela saúde mental no trabalho não se limita às atitudes individuais. As empresas também têm papel fundamental na identificação e na prevenção de situações que podem comprometer o equilíbrio psicológico dos funcionários.
Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais. A medida amplia a atenção a aspectos como sobrecarga, pressão excessiva, falta de apoio e problemas na organização das atividades.
A proposta é incentivar as organizações a identificar os riscos presentes no ambiente profissional e adotar medidas concretas para reduzi-los. Campanhas pontuais de conscientização, por si só, não substituem mudanças na rotina, na distribuição de tarefas e nas relações de trabalho quando esses fatores contribuem para o adoecimento.
A prevenção exige, portanto, ações contínuas e participação conjunta de empregadores, trabalhadores e profissionais especializados. Ambientes mais seguros, relações respeitosas e condições adequadas para executar as atividades são elementos importantes para proteger a saúde dos funcionários.
Afastamentos reforçam alerta sobre saúde ocupacional
O crescimento dos afastamentos por transtornos mentais evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelo país. Além dos impactos na vida dos trabalhadores, o problema também exige atenção das organizações e dos serviços de saúde, tanto para o tratamento quanto para a prevenção de novos casos.
Identificar fatores que provocam sofrimento, facilitar o acesso ao acompanhamento especializado e rever condições de trabalho prejudiciais estão entre as medidas necessárias para enfrentar o problema.
Com os dados de 2025, a saúde mental se consolida como uma questão central na discussão sobre saúde ocupacional. Mais do que incentivar o autocuidado, é necessário criar condições para que os trabalhadores possam exercer suas funções sem que as exigências profissionais comprometam o bem-estar físico e emocional.
*Da Agência Fonte Exclusiva
