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Home Política
Fenaj alerta que crise institucional, vídeos curtos e busca por engajamento estão esvaziando o debate sobre propostas nas eleições de 2026.

Imagem: Reprodução/ Fernando Frazão/Agência Brasil

Fenaj alerta para “tiktokização” e perda de profundidade na campanha eleitoral

Entidade avalia que crises, vídeos curtos e disputa por engajamento estão reduzindo espaço para propostas sobre problemas estruturais do país.

redacao Por redacao
15/09/2026 - 09:49
em Política
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Vídeos de poucos segundos, frases de impacto e repercussões imediatas passaram a disputar espaço com propostas de governo na campanha eleitoral de 2026.

Para a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, esse modelo tem contribuído para tornar o debate político menos aprofundado justamente na reta final antes das eleições.

A dirigente define o fenômeno como uma espécie de “tiktokização” da campanha. Na avaliação dela, tanto candidatos quanto parte dos meios de comunicação passaram a dar prioridade a conteúdos capazes de gerar repercussão rápida nas redes sociais, enquanto temas estruturais recebem menor atenção.

O cenário se intensificou nas últimas semanas com a crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal e os desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master.

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Segundo Samira, os acontecimentos têm relevância jornalística e precisam ser acompanhados, mas o espaço dedicado à crise não deveria eliminar a discussão sobre os projetos apresentados por quem pretende governar ou ocupar cargos no Legislativo.

Crise institucional domina agenda

A avaliação da Fenaj é que o debate eleitoral está sendo diretamente afetado pela concentração das atenções nos conflitos institucionais.

As disputas que começaram dentro do Judiciário ultrapassaram os limites do Supremo e passaram a ocupar redes sociais, programas de televisão, portais de notícias e conversas políticas às vésperas da votação.

Para Samira, a cobertura desses episódios é necessária, mas deveria ocorrer paralelamente à análise das propostas de campanha e dos problemas que continuarão presentes depois do período eleitoral.

Jornalismo declaratório é alvo de críticas

Outro ponto levantado pela dirigente é a predominância do chamado jornalismo declaratório, baseado principalmente na reprodução de falas de autoridades, candidatos e outros personagens públicos.

Na avaliação da presidente da Fenaj, a cobertura eleitoral precisa ir além da sucessão de declarações e confrontos.

Isso inclui ampliar o número e a diversidade de fontes, ouvir cidadãos atingidos pelas políticas públicas e explicar como decisões tomadas em Brasília ou nos governos estaduais interferem diretamente no cotidiano da população.

Pressão por audiência influencia cobertura

A disputa por atenção nas plataformas digitais também aparece entre os desafios apontados pela entidade.

Veículos tradicionais passaram a competir diretamente com redes sociais, influenciadores e produtores independentes por audiência. Nesse ambiente, conteúdos curtos e de grande repercussão tendem a receber mais destaque.

O problema, segundo a avaliação apresentada por Samira, aparece quando a lógica do engajamento determina a agenda jornalística e reduz o espaço para reportagens explicativas, investigação e contextualização.

O fenômeno também vem modificando os próprios debates eleitorais. Especialistas ouvidos em outras análises sobre a campanha apontam que candidatos passaram a produzir falas pensando na possibilidade de gerar “cortes” para redes sociais, priorizando confrontos e frases de efeito que possam viralizar.

Campanhas também priorizam performance

A crítica não se limita aos veículos de comunicação.

Para a presidente da Fenaj, muitas campanhas passaram a investir intensamente em vídeos curtos, encenações, estratégias de marketing e ações pensadas para conquistar alcance imediato.

Nesse modelo, propostas mais complexas sobre economia, políticas públicas e planejamento de longo prazo podem perder espaço porque exigem mais tempo para explicação e dificilmente cabem em formatos rápidos.

Clima e tecnologia precisam ganhar espaço

Entre os assuntos que, na avaliação de Samira, deveriam aparecer com maior frequência na campanha estão as mudanças climáticas.

Os impactos de enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos extremos já atingem diferentes regiões brasileiras e têm consequências diretas sobre infraestrutura, produção agrícola e orçamento público.

A exploração de minerais estratégicos e terras raras também aparece entre as questões consideradas relevantes para o futuro econômico e tecnológico do país.

Outro tema citado é a expansão de data centers no Brasil, diante das discussões sobre investimentos, consumo de energia, infraestrutura digital e impactos ambientais.

Eleição precisa discutir projetos de país

Para a Fenaj, a existência de uma crise institucional não elimina a responsabilidade de candidatos e meios de comunicação de discutir os problemas estruturais brasileiros.

A entidade defende uma cobertura eleitoral capaz de oferecer ao cidadão informações suficientes para comparar propostas, avaliar políticas públicas e compreender quais projetos estão em disputa.

Na visão apresentada por Samira, reduzir a eleição à repercussão de crises e aos acontecimentos que viralizam nas redes pode deixar o eleitor diante de muito conteúdo, mas de pouca informação capaz de ajudar efetivamente na decisão do voto.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Brasil#CampanhaEleitoral#CriseInstitucional#DebateEleitoral#Democracia#Eleições2026#Fenaj#Jornalismo#MudançasClimaticas#política#RedesSociais#SamiraDeCastro#Tecnologia#TerrasRaras#TikTok
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