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Home Política
Após quase dois meses sem ver Rodrigo Bacellar, Manoella Duarte relata as condições encontradas durante visita ao presídio federal de Mossoró.

Imagem: Reprodução/ Alerj

Após visita a Mossoró, esposa de Bacellar relata condições enfrentadas pelo ex-presidente da Alerj

Relato cita marcas de algema, problema de saúde e dificuldades com banho de sol; informações oficiais da Senappen descrevem protocolos do sistema federal

redacao Por redacao
15/09/2026 - 10:55
em Política
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Depois de quase dois meses sem ver o marido, Manoella Duarte viajou até Mossoró, no Rio Grande do Norte, para visitar Rodrigo Bacellar na penitenciária federal onde o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro está preso. O encontro, segundo ela, revelou uma rotina que decidiu tornar pública dias depois.

Em uma carta divulgada nesta segunda-feira (14), Manoella relata que encontrou Bacellar com marcas provocadas pelas algemas e com um dos dedos do pé inflamado. A dor, segundo o relato, teria se tornado tão intensa que ele chegou a colocar o pé na comida quente na tentativa de aliviar o incômodo. Ela afirma ainda que existem dificuldades para a entrada de medicamentos prescritos pelos médicos que já acompanhavam o ex-deputado.

O que Manoella descreve é uma rotina marcada também pelo desconforto dentro da cela. De acordo com a carta, Bacellar não dispõe de ventilador, toma banho utilizando um caneco e passa sabonete pelo corpo durante a noite para tentar afastar os mosquitos.

Há ainda uma queixa relacionada ao banho de sol. Manoella afirma que os horários de saída são organizados entre presos associados a diferentes grupos criminosos e que, por não integrar nenhuma dessas organizações, Bacellar estaria ficando sem acesso à atividade ao ar livre.

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As informações públicas da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), responsável pelo Sistema Penitenciário Federal, descrevem uma estrutura diferente daquela narrada pela família em alguns desses pontos.

Segundo o órgão, os presos das unidades federais ocupam celas individuais de aproximadamente seis metros quadrados, equipadas com cama, sanitário, pia, chuveiro, mesa e assento. A Senappen informa ainda que a rotina prevê duas horas diárias de banho de sol, além de atendimento médico, odontológico, psicológico e farmacêutico.

A própria secretaria informa, no entanto, que o funcionamento do chuveiro e da iluminação obedece a horários definidos pela administração e que as celas não possuem tomadas elétricas. Em outra publicação oficial sobre o sistema federal, o órgão afirma que os presos permanecem 22 horas por dia nas celas e passam duas horas no banho de sol, sob monitoramento.

Essas informações descrevem os procedimentos gerais adotados nas penitenciárias federais, mas não permitem estabelecer o que ocorreu especificamente com Bacellar. Não foi localizada, nas páginas públicas consultadas da Senappen, uma manifestação individualizada sobre as alegações apresentadas por Manoella.

É justamente nesse espaço entre as regras previstas e a experiência relatada pela família que a carta se concentra.

Manoella não contesta, por exemplo, a existência formal de atendimento médico no sistema. A queixa é de que os medicamentos prescritos pelos profissionais que acompanhavam Bacellar antes da prisão enfrentariam restrições para entrar na unidade e de que as condições concretas de custódia estariam afetando sua saúde.

Ao divulgar o relato, ela também procura separar a discussão sobre as condições da prisão do processo criminal enfrentado pelo marido. Não pede, na carta, que as acusações sejam retiradas ou que Bacellar seja considerado inocente. O argumento é mais elementar: enquanto permanecer sob custódia, diz ela, o Estado é responsável por sua integridade.

Bacellar está preso preventivamente desde 27 de março, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A medida foi tomada em uma investigação sobre suspeitas de vazamento de informações sigilosas e obstrução de apurações relacionadas a organizações criminosas no Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, o ex-presidente da Alerj teria participado da obstrução de operações policiais e colaborado para frustrar o cumprimento de mandados contra o então deputado estadual TH Joias. A acusação sustenta que informações protegidas teriam sido repassadas antes de uma das operações. A defesa de Bacellar nega as acusações.

Em agosto, a Primeira Turma do STF recebeu por unanimidade a denúncia contra Bacellar, TH Joias e outros três acusados. A decisão transformou os denunciados em réus e abriu caminho para a ação penal. Não houve, com isso, julgamento de culpa ou condenação.

A prisão de Bacellar, portanto, continua sendo cautelar. É nesse contexto que a situação descrita pela esposa ganha outra dimensão: as condições de custódia de um réu que ainda aguarda julgamento.

A defesa também tenta modificar o local ou a forma de cumprimento da prisão. Conforme consta no material tornado público com a carta, foram apresentados pedidos para que Bacellar retorne ao Rio de Janeiro ou seja transferido para Brasília, além de um requerimento de prisão domiciliar.

A distância entre o Rio e Mossoró é um dos elementos mencionados pela família. A visita que deu origem à carta ocorreu depois de cerca de dois meses sem contato presencial entre Manoella e o marido.

Ao tornar público o que ouviu e observou na penitenciária, ela deslocou a discussão para além das acusações que levaram Bacellar à prisão. A questão levantada agora é outra: se as condições efetivamente encontradas na unidade correspondem aos protocolos que o próprio sistema penitenciário federal diz garantir.

A carta termina com um pedido que Manoella apresenta como independente da disputa política ou judicial em torno do marido: “Peço apenas uma coisa: que ele seja tratado como ser humano.”

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Justica#Mossoro#PolíticaRJ#RioDeJaneiro #ManoellaDuarte#RodrigoBacellar#Senappen#SistemaPenitenciarioFederal#STF
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