CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

Proposta recebeu 44 votos a favor e 18 contrários e segue para comissão especial antes de votação em plenário.

CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos. Texto segue para comissão especial e ainda precisa passar por dois turnos no plenário.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

Uma Proposta de Emenda à Constituição que reduz a maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos foi aprovada nesta quarta-feira (10) pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.

O parecer favorável à PEC 32/2015 recebeu 44 votos a favor e 18 contrários, marcando a primeira etapa formal de tramitação da proposta no Legislativo.

Com a aprovação na CCJ, o texto segue agora para análise de uma comissão especial, que deverá aprofundar o debate sobre o conteúdo da proposta.

Após essa etapa, a PEC ainda precisará ser votada em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados para avançar no Congresso Nacional.

O relatório foi apresentado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT), que defendeu a constitucionalidade da medida, argumentando que a proposta não viola cláusulas consideradas intocáveis da Constituição nem compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

A sessão foi marcada por forte divergência entre parlamentares e debates que se estenderam por mais de duas horas.

Entre os contrários, o deputado Tadeu Veneri (PT-PR) afirmou que os direitos de crianças e adolescentes possuem proteção constitucional reforçada e que uma alteração desse tipo poderia ser questionada no Supremo Tribunal Federal.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) também criticou a proposta, avaliando que a redução da maioridade penal não resolveria os problemas estruturais da segurança pública e poderia atingir principalmente jovens envolvidos em infrações de menor gravidade.

Já os defensores da medida sustentaram que a mudança representa um endurecimento necessário na legislação penal. O deputado Mendonça Filho defendeu inclusive a possibilidade de realização de referendo para que a população se manifeste sobre o tema.

Outros parlamentares, como Rodrigo de Castro (União-MG), classificaram a aprovação como um sinal político de combate à impunidade, embora reconhecendo a complexidade do assunto.

Já Otoni de Paula (PSD-RJ) alertou para possíveis efeitos colaterais, como o aumento do recrutamento de menores por organizações criminosas.

A proposta ainda precisará avançar por novas etapas legislativas antes de eventual votação definitiva no plenário da Câmara dos Deputados.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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