Uma empresa pertencente a um empresário que mantém sociedade com o ex-ministro João Roma recebeu R$ 19,7 milhões do Banco Master por serviços prestados nos últimos anos. Roma, candidato ao Senado pela Bahia, afirma que não teve qualquer participação nos contratos nem na aproximação entre a companhia e a instituição financeira.
O empresário em questão é Alfredo Pacheco Pereira Neto, sócio de Roma desde 2021 na Prata da Chapada, empreendimento voltado à produção agropecuária. Segundo a declaração apresentada pelo ex-ministro à Justiça Eleitoral, ele possui metade das cotas da empresa.
A parceria na Prata da Chapada começou quando Roma ainda comandava o Ministério da Cidadania no governo Jair Bolsonaro. A empresa, segundo os envolvidos, dedica-se à produção de bananas e não possui relação comercial com o Banco Master.
Além desse empreendimento, Alfredo Pacheco está ligado à AB Serviços de Corretagem Financeira, empresa que recebeu R$ 19,7 milhões do Master. Os pagamentos constam de documentos fiscais analisados em levantamento sobre prestadores de serviços contratados pela instituição financeira.
A AB Serviços afirmou que os valores foram pagos por atividades de consultoria, assessoria e relacionamento comercial. Segundo a empresa, os contratos foram celebrados regularmente no setor privado, os serviços tiveram comprovação técnica e os tributos correspondentes foram recolhidos.
A companhia também negou qualquer ligação de João Roma com os negócios realizados para o Master. De acordo com Alfredo Pacheco, a sociedade entre os dois está restrita à Prata da Chapada, sem participação do ex-ministro na AB Serviços ou nos contratos firmados com o banco.
O quadro societário da corretora também contou com o advogado Bruno Martinez Carneiro Ribeiro Neves, atual superintendente do Ibama na Bahia. Ele afirmou que deixou a sociedade em 2023, quando passou a se dedicar às atividades na autarquia federal.
Os R$ 19,7 milhões recebidos pela AB aparecem em um levantamento mais amplo sobre pagamentos feitos pelo Banco Master. A Folha de S.Paulo identificou 117 empresas que receberam pelo menos R$ 5 milhões da instituição entre 2022 e 2025. Destas, 35 haviam sido criadas a partir de 2021 e, juntas, receberam cerca de R$ 870 milhões.
A presença de uma empresa nessa relação, por si só, não indica irregularidade. Entre as companhias identificadas há prestadores que afirmam ter executado serviços regularmente, enquanto outras aparecem em investigações relacionadas ao banco.
Roma também reconhece manter relação pessoal com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O ex-ministro participou de uma festa de aniversário promovida por Lima em Salvador e afirmou anteriormente que nunca escondeu essa proximidade.
Questionado sobre a sociedade com Alfredo Pacheco, Roma reiterou que a Prata da Chapada atua exclusivamente no setor agropecuário. Ele também disse estranhar a retomada do assunto durante o período eleitoral e ressaltou que está há quatro anos sem ocupar cargo público.
Até o momento, não foram apresentados elementos que indiquem participação de João Roma nos contratos de R$ 19,7 milhões entre a AB Serviços e o Banco Master. A ligação documentada é societária: Roma e Alfredo Pacheco dividem outro empreendimento, sem relação declarada com a instituição financeira.
*Da Agência Fonte Exclusiva
