Afastamento do diretor-geral da PF provoca reação no entorno de Lula

Advogado da campanha de Lula defende convocação do Conselho da República e recurso ao plenário do STF contra decisão de André Mendonça.

Afastamento de Andrei Rodrigues da PF gera reação no entorno de Lula. Advogado defende Conselho da República e recurso ao plenário do STF.

Imagem: Reprodução/Joédson Alves/Agência Brasil/Carlos Moura/SCO/STF/Mateus Bonomi/Anadolu/ Via RT

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal provocou reação entre aliados jurídicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Marco Aurélio de Carvalho, coordenador jurídico da campanha do presidente e integrante do grupo Prerrogativas, defendeu que Lula convoque o Conselho da República para tratar do episódio. A declaração foi publicada pelo portal UOL nesta terça-feira (8).

Na avaliação do advogado, a medida seria necessária diante do que considera um agravamento da crise institucional brasileira.

“O presidente Lula pode e deve convocar o Conselho da República”, afirmou Carvalho.

Segundo ele, o país estaria passando por uma situação institucional excepcional, marcada, em sua avaliação, por conflitos entre diferentes órgãos públicos e questionamentos sobre os limites de suas respectivas competências.

Advogado defende recurso contra decisão de Mendonça

Além da convocação do Conselho da República, Carvalho afirmou que o governo deveria recorrer ao plenário do STF contra a decisão que afastou Andrei Rodrigues.

O advogado defendeu que o recurso seja apresentado antes do cumprimento integral da determinação individual de Mendonça. Ele também pediu uma reunião urgente entre Lula e Edson Fachin, atual presidente do Supremo, para discutir os desdobramentos do caso.

Para Carvalho, o momento exige atenção especial das instituições, principalmente diante da proximidade do período eleitoral.

“Eleições, em toda e qualquer democracia, devem ser disputadas no voto. Não podemos permitir que funções públicas sejam novamente capturadas por interesses políticos e eleitorais”, declarou.

Conselho da República pode ser convocado pelo presidente

O Conselho da República é um órgão de consulta do presidente da República previsto na Constituição Federal.

Fazem parte do colegiado o presidente da República, o vice-presidente, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, líderes da maioria e da minoria nas duas Casas, o ministro da Justiça e seis cidadãos brasileiros.

Entre suas atribuições está a manifestação sobre questões consideradas relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. O Conselho também pode ser consultado em situações relacionadas à intervenção federal, ao estado de defesa e ao estado de sítio.

A convocação, portanto, não representa uma decisão judicial nem substitui a atuação dos demais Poderes. Trata-se de um mecanismo constitucional de consulta ao presidente em momentos considerados de especial relevância institucional.

Mendonça afastou dois integrantes da Polícia Federal

A decisão de André Mendonça determinou o afastamento imediato de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.

O ministro justificou a medida com a necessidade de evitar o que classificou como possíveis “constrangimentos ilegais” e garantir que autoridades e servidores pudessem desempenhar suas funções sem interferências.

Mendonça também determinou o afastamento do delegado Leandro Almada, então diretor de Inteligência Policial da PF.

Os dois passaram a ser alvo de apuração pela Corregedoria da Polícia Federal. A decisão também determinou a abertura de procedimento para esclarecer as circunstâncias relacionadas à elaboração de documentos mencionados no processo.

Caso amplia tensão entre ministros do Supremo

O episódio ocorre em meio a uma disputa que envolve diferentes integrantes do STF.

Antes da decisão de Mendonça, Alexandre de Moraes havia apresentado um relatório produzido pela Polícia Federal e solicitado a abertura de investigação contra André Mendonça pela própria Corte.

O pedido foi apresentado no chamado inquérito das fake news, que tem Moraes como relator. Posteriormente, Edson Fachin revogou a medida adotada contra Mendonça.

Na sequência, a Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

O caso permanece sob análise judicial e pode gerar novos desdobramentos dentro do Supremo e entre integrantes do governo federal, especialmente diante da disputa sobre os limites de atuação das instituições.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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