Abelardo de la Espriella assumiu oficialmente nesta sexta-feira (7) a Presidência da Colômbia para o mandato 2026-2030. A posse foi realizada em Cali, no sudoeste do país, em uma cerimônia marcada por forte esquema de segurança, presença de líderes internacionais e pelo rompimento de uma tradição política de mais de um século.
O advogado conservador, de 48 anos, sucede Gustavo Petro depois de vencer uma das disputas presidenciais mais apertadas da história recente colombiana.
De la Espriella derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda no segundo turno realizado em 21 de junho. A apuração oficial confirmou 12.960.166 votos para o vencedor, contra 12.708.312 para Cepeda, diferença inferior a um ponto percentual.
O Conselho Nacional Eleitoral confirmou posteriormente o resultado, encerrando o processo formal de apuração. De la Espriella havia concorrido pelo movimento Defensores de la Patria.
Posse rompe tradição em Bogotá
A cerimônia desta sexta-feira entrou para a história política colombiana por ter sido realizada fora da sede do Congresso Nacional, em Bogotá.
De la Espriella tornou-se o primeiro presidente colombiano a assumir o cargo em outro local. O novo governo escolheu Cali, capital do departamento de Valle del Cauca e terceira maior cidade do país, como cenário da transferência de poder.
A mudança foi previamente autorizada pelo Legislativo. No fim de julho, a Câmara dos Representantes aprovou, por 117 votos a 7, a realização da posse em Cali.
Segundo o El País, a sessão do Congresso começou por volta das 14h40 e De la Espriella prestou juramento aproximadamente às 16h30, assumindo formalmente a chefia do Estado.
Após a posse, o presidente deixou o local da cerimônia e seguiu para o Batalhão Pichincha, em Cali, de onde fez seu primeiro pronunciamento como chefe de Estado.
Segurança será prioridade do novo governo
A segurança pública foi um dos principais temas da campanha de De la Espriella.
O novo presidente prometeu endurecer a atuação do Estado contra organizações armadas, narcotráfico e grupos criminosos que operam em diferentes regiões da Colômbia.
Segundo a Reuters, o presidente defende o encerramento de negociações consideradas malsucedidas com grupos armados, uma resposta militar mais intensa e a construção de grandes unidades prisionais.
A escolha de Cali para a posse também tem forte simbolismo. O sudoeste colombiano enfrenta há anos problemas relacionados à atuação de guerrilhas dissidentes, narcotráfico e outras organizações armadas.
A Associated Press informou que De la Espriella pretende exigir a rendição desses grupos e adotar uma política de maior pressão militar contra aqueles que continuarem atuando ilegalmente.
Mudança também deve atingir economia
Além da área de segurança, o novo governo chega com uma agenda econômica diferente da implementada por Gustavo Petro.
Durante a campanha, De la Espriella defendeu redução da estrutura estatal, incentivos ao investimento privado e recuperação dos setores de petróleo e gás.
O novo presidente chegou a propor redução de até 40% da estrutura do Estado, embora parte de suas principais medidas dependa da aprovação de um Congresso politicamente dividido.
Os setores petrolífero e de mineração acompanharam com expectativa a posse. Representantes dessas áreas esperam mudanças nas regras de licenciamento, investimentos e exploração de recursos naturais.
Tensão marca transição de poder
A transferência de governo ocorre depois de meses de forte polarização política.
Gustavo Petro contestou o resultado eleitoral e fez críticas ao processo que levou à vitória de De la Espriella. O presidente que deixou o cargo também convocou manifestações durante o período de transição.
Já Iván Cepeda, adversário derrotado no segundo turno, reconheceu posteriormente o resultado após a conclusão da apuração.
A tensão ficou evidente também durante a posse. Parlamentares do Pacto Histórico, legenda ligada a Petro, não participaram da sessão realizada em Cali, enquanto setores da oposição ao novo presidente organizaram manifestações.
Líderes internacionais acompanham cerimônia
A posse reuniu autoridades de diversos países.
Entre os presentes estavam o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Equador, Daniel Noboa; o presidente do Chile, José Antonio Kast; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; e o rei Felipe VI, da Espanha.
Os Estados Unidos também enviaram uma delegação oficial para acompanhar a cerimônia.
De la Espriella mantém proximidade política com o presidente norte-americano Donald Trump, que apoiou sua candidatura durante a eleição colombiana.
Novo ciclo político na Colômbia
A chegada de Abelardo de la Espriella ao poder representa uma mudança significativa na orientação política da Colômbia após quatro anos do governo de esquerda de Gustavo Petro.
Advogado e empresário, De la Espriella nunca havia exercido anteriormente um cargo eletivo. Sua campanha ganhou força principalmente com um discurso voltado ao combate à criminalidade, fortalecimento das Forças Armadas, redução da máquina pública e estímulo ao setor privado.
O novo presidente, entretanto, encontrará um Congresso fragmentado, o que poderá exigir negociações para a aprovação de reformas estruturais.
Os primeiros meses deverão mostrar até que ponto De la Espriella conseguirá transformar as promessas eleitorais em políticas efetivas e como será a relação do novo governo com a oposição, os movimentos sociais e os grupos armados que continuam atuando em diferentes regiões colombianas.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
