TCU alerta governo sobre riscos fiscais no financiamento dos Correios e cobra modelo de compensação

Tribunal aponta que custo da universalização dos serviços postais chegou a R$ 4,6 bilhões em 2024 e defende mecanismo transparente para garantir sustentabilidade da estatal.

TCU alerta governo federal sobre riscos fiscais relacionados aos Correios e pede criação de modelo de compensação para financiar a universalização dos serviços postais.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (22) um alerta ao governo federal sobre os riscos fiscais relacionados ao financiamento dos serviços universais prestados pelos Correios.

A decisão foi tomada por unanimidade pelo plenário da Corte após uma auditoria analisar os custos para manter a cobertura postal em todo o território nacional.

Segundo o TCU, a falta de um modelo definido para compensar financeiramente as despesas da estatal pode comprometer o equilíbrio das contas públicas.

O tribunal recomendou a criação de um mecanismo considerado “explícito, estruturado e transparente” para custear a obrigação de garantir atendimento postal em áreas com diferentes características econômicas e geográficas.

O processo teve como relator o ministro Benjamin Zymler, que destacou o impacto financeiro da chamada universalização postal. De acordo com o levantamento apresentado ao tribunal, o custo dessa atividade alcançou R$ 4,6 bilhões em 2024, valor comparável aos recursos destinados a programas como o Farmácia Popular e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Risco de novos aportes da União

Durante a análise, Zymler afirmou que a ausência de uma fonte permanente de financiamento aumenta a vulnerabilidade econômica dos Correios, que enfrentam dificuldades financeiras e acumulam resultados negativos.

Na avaliação do ministro, a situação pode ampliar a necessidade de novos recursos públicos para garantir a continuidade dos serviços, aumentando a exposição da União a riscos fiscais.

“Esse quadro compromete a capacidade futura de pagamento da estatal, amplia o risco fiscal da União”, afirmou Zymler durante a sessão do tribunal.

O alerta também considera as garantias concedidas pelo governo federal em operações de crédito realizadas pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

Financiamento e medidas de reestruturação

No fim de 2025, o Tesouro Nacional autorizou uma operação de crédito de R$ 12 bilhões para apoiar a reestruturação financeira dos Correios, com garantia da União.

Como parte do processo de ajuste, a empresa anunciou medidas como um programa de desligamento voluntário de funcionários e o encerramento de algumas unidades de atendimento.

Para o TCU, a manutenção da rede postal em todo o país possui características de política pública, mas é necessário estabelecer com clareza quem deve financiar os custos dessa obrigação.

A Corte destacou que a definição de um modelo permanente de compensação é fundamental para evitar impactos futuros sobre o orçamento federal e garantir maior previsibilidade financeira para a estatal.

Procurados, os Correios informaram que não irão comentar a decisão do Tribunal de Contas da União.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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