O agravamento do conflito no Oriente Médio já começa a influenciar as projeções econômicas para o Brasil.
De acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a estimativa de inflação para 2026 foi revisada para cima, principalmente por causa da alta nos preços do petróleo no mercado internacional.
A previsão oficial de inflação passou de 3,6%, divulgada em fevereiro, para 3,7% neste ano. A mudança considera o impacto do aumento dos combustíveis, que tende a elevar os custos de transporte e pressionar preços de diversos produtos e serviços na economia.
Por outro lado, o fortalecimento do real frente ao dólar ajuda a conter parte dessa pressão inflacionária, já que a valorização da moeda brasileira reduz o custo de produtos importados.
Mesmo com a revisão na inflação, a projeção de crescimento econômico do país foi mantida. O Ministério da Fazenda segue estimando expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
Segundo técnicos da pasta, o aumento do preço do petróleo pode gerar ganhos para o Brasil, que é um importante produtor da commodity e pode ampliar tanto as exportações quanto a arrecadação pública.
No entanto, esse efeito positivo é parcialmente compensado pelo desempenho mais fraco da atividade industrial registrado no fim do ano passado, que ainda influencia o ritmo da economia neste ano.
O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, afirmou que algumas medidas adotadas recentemente pelo governo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis ainda não foram consideradas nas projeções do relatório.
Entre elas estão ações voltadas à redução do preço do diesel, que podem ajudar a aliviar pressões inflacionárias nos próximos meses.
Mesmo assim, o secretário ressaltou que o cenário econômico depende diretamente da evolução do conflito internacional e de seus efeitos sobre o mercado global de energia.
As projeções apresentadas pelo governo consideram um cenário-base em que a guerra tem duração limitada e o preço médio do barril de petróleo fique em torno de US$ 73,09 ao longo do ano.
O relatório também avaliou cenários alternativos. Em uma situação de conflito mais prolongado, com impacto maior na produção mundial de petróleo, o preço médio do barril poderia subir para cerca de US$ 82.
Em um cenário mais grave — envolvendo destruição de instalações de extração, dificuldades logísticas ou bloqueios na região — o valor poderia alcançar uma média de US$ 100 por barril.
Nesse contexto, quanto mais tempo durar o conflito e maior for a interrupção na produção ou no transporte de petróleo, maiores tendem a ser os efeitos sobre a inflação global e, consequentemente, sobre a economia brasileira.
*Da Agência Fonte Exclusiva
