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Home Política
TJ do Rio concede habeas corpus a vereador investigado por suposta ligação com facção

Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Investigação contra vereador do Rio gera crise política após habeas corpus

Decisão judicial que libertou Salvino Oliveira aumenta tensão entre prefeitura e governo estadual.

Redação Por Redação
13/03/2026 - 16:26
em Política
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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu habeas corpus ao vereador Salvino Oliveira (PSD), preso na última quarta-feira durante uma operação da Polícia Civil que investiga possíveis vínculos entre agentes públicos e o tráfico de drogas. A decisão foi tomada pelo desembargador Marcus Basilio, que considerou frágeis os elementos apresentados para justificar a prisão preventiva do parlamentar.

Na decisão, o magistrado destacou que os indícios apresentados nos autos são “precários” e que não há demonstração clara da necessidade da prisão para o andamento das investigações. Segundo ele, as informações reunidas até o momento se baseiam principalmente em referências indiretas e em uma conversa de terceiros registrada há mais de um ano.

O desembargador ressaltou ainda que não estava realizando julgamento definitivo sobre o caso, mas avaliando apenas os fundamentos da prisão.

“Não se está neste momento fazendo qualquer juízo de valor conclusivo sobre a investigação da Polícia Civil acerca da organização criminosa. Contudo, quanto ao paciente, o fundamento da prisão quanto ao indício de envolvimento é bastante precário”, afirma trecho da decisão.

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Outro ponto mencionado pelo magistrado foi a ausência de contemporaneidade entre os fatos citados na investigação e a decretação da prisão, o que também contribuiu para a concessão do habeas corpus.

Apesar da liberdade concedida, Salvino Oliveira deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça. Entre elas, está a proibição de deixar o estado do Rio de Janeiro por mais de 15 dias sem autorização judicial, além da proibição de manter contato com outros investigados no caso.

Operação da Polícia Civil

A prisão do vereador ocorreu durante a Operação Contenção Red Legacy, que também teve como alvo seis policiais militares suspeitos de envolvimento com o crime organizado.

Segundo o inquérito da Polícia Civil, o fato de Salvino se apresentar publicamente como “cria” da Cidade de Deus e utilizar o slogan de campanha “Vereanças das Favelas do Rio” foi considerado relevante dentro do contexto territorial investigado.

Os investigadores apontam que a Cidade de Deus, por estar próxima da comunidade da Gardênia Azul, teria sido historicamente utilizada como base logística de integrantes do Comando Vermelho.

No entanto, a principal evidência citada no inquérito contra o vereador seria uma conversa interceptada entre terceiros. Na mensagem, um interlocutor afirma ter sido informado de que integrantes da facção teriam autorizado Salvino a “trabalhar” na região e solicitado apoio aos projetos do parlamentar. A resposta do destinatário da mensagem, no entanto, ocorreu por chamada de voz e não foi registrada no material analisado.

Para a Polícia Civil, a conversa poderia indicar que a atuação política do vereador estaria condicionada ao aval da organização criminosa. Já a defesa sustenta que a citação isolada não comprova qualquer ligação com o tráfico.

Embate político

A operação desencadeou uma forte disputa política no estado. O diretório do PSD no Rio de Janeiro afirmou que pretende levar o caso às instâncias federais.

O deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual da legenda, anunciou que solicitou audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e também com a direção da Polícia Federal para discutir a investigação.

Segundo ele, o partido suspeita de uso político da máquina policial.

Parlamentares do PSD também encaminharam representação ao Superior Tribunal de Justiça e à Procuradoria-Geral da República pedindo o afastamento do secretário estadual de Polícia Civil, Felipe Curi, e do governador Cláudio Castro.

Troca de críticas entre autoridades

O caso também acirrou a disputa política entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o governador Cláudio Castro (PL).

Paes saiu em defesa do vereador e afirmou que não se pode criminalizar o fato de um político se declarar morador de uma comunidade.

“Ele se autointitula cria da Cidade de Deus. Eu sou cria do Jardim Botânico. Qual é o problema?”, declarou o prefeito.

Em resposta, o Palácio Guanabara afirmou que a prisão não teve motivação política e que a decisão foi baseada em critérios técnicos e respaldada por diferentes instituições.

Segundo o governo estadual, o processo passou por análise da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Investigação segue em andamento

A Polícia Civil informou que a investigação começou em outubro de 2024. O pedido de prisão foi apresentado no início de janeiro deste ano, recebeu parecer favorável do Ministério Público e teve mandados autorizados pela Justiça no fim de fevereiro.

Mesmo com a decisão que garantiu liberdade ao vereador, o inquérito continua em andamento e pode resultar em novas diligências ou denúncias formais.

Nota da Câmara Municipal

A Câmara Municipal do Rio divulgou nota após a citação da Comissão Especial de Políticas Públicas para as Favelas no inquérito.

O Legislativo municipal afirmou que é “inaceitável” qualquer tentativa de associar o debate sobre políticas públicas voltadas às comunidades a atividades criminosas.

A nota também destaca que participar de comissões voltadas às favelas faz parte do exercício legítimo do mandato parlamentar e da representação de milhões de moradores dessas regiões.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #AtualidadesRJ#CidadeDeDeus#CrisePolítica#JustiçaRJ#notíciasdobrasil#OperaçãoPolicial#PolíticaRJ#RioDeJaneiro#salvinooliveira#SegurançaPública
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