A possibilidade de transformar a Lua em um novo ambiente de atividades econômicas estará entre os temas discutidos por países do BRICS nesta quinta-feira (10), durante o Congresso Internacional de Tecnologia, realizado na Rússia. Uma das sessões do evento será dedicada ao desenvolvimento de uma possível economia lunar e reunirá representantes de agências espaciais, instituições de pesquisa e empresas do setor.
Organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico da Federação da Rússia, o encontro tem como tema “O papel dos BRICS na futura economia espacial”. A proposta é discutir como os países do bloco podem trabalhar em conjunto na exploração da Lua e no aproveitamento de recursos que, no futuro, possam ter valor científico, industrial ou comercial.
Entre os pontos previstos está a avaliação de quando um eventual mercado lunar poderá começar a se desenvolver, quais setores já despertam interesse de investidores e em quais áreas os países do BRICS poderiam construir vantagens competitivas.
Viabilidade financeira é um dos principais desafios
Apesar do avanço das tecnologias espaciais e do aumento do interesse pela Lua, transformar projetos de exploração lunar em atividades comerciais ainda depende de superar obstáculos econômicos.
Durante a sessão, os participantes também deverão avaliar possibilidades de cooperação em pesquisa, indústria e desenvolvimento tecnológico. A programação inclui projetos nacionais voltados ao uso comercial de recursos lunares, além de iniciativas internacionais, como a Estação Internacional de Pesquisa Lunar.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Econômico russo, o crescimento dos programas espaciais não significa, necessariamente, que a exploração comercial da Lua já tenha um modelo financeiro consolidado.
A criação de novos mercados, setores industriais e potenciais consumidores será um dos fatores considerados fundamentais para estimular investimentos públicos e privados.
A identificação de atividades com potencial de gerar receita também pode ajudar a determinar quais projetos teriam condições de financiar uma infraestrutura permanente ou de longa duração na superfície lunar.
Brasil participa do debate
O Brasil estará representado na sessão por integrantes da Agência Espacial Brasileira (AEB), que participarão das discussões sobre cooperação e oportunidades no setor espacial.
Entre os representantes brasileiros anunciados estão Rogério Veríssimo, diretor da Diretoria de Governança do Setor Espacial; Rodrigo Leonardi, diretor de Gestão de Portfólio; Paolo Gessini, diretor de Inteligência Estratégica e Novos Negócios; e Marcia Alvarenga dos Santos, chefe do Escritório de Cooperação Internacional.
A Rússia também terá representantes de suas principais instituições espaciais e científicas. Entre eles estão Anatoly Petrukovich, diretor do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências, e Vasily Gudnov, chefe do Departamento de Cooperação Internacional da Roscosmos.
Pesquisadores, especialistas em política espacial e representantes de empresas também devem participar do encontro.
BRICS avalia oportunidades no mercado espacial
O debate acontece em um momento de expansão dos programas internacionais voltados à exploração lunar e à pesquisa sobre o aproveitamento de seus recursos.
Uma eventual economia lunar, no entanto, dependerá de mais do que avanços científicos. Será necessário desenvolver tecnologias, infraestrutura, regras de cooperação e modelos de negócios capazes de atrair investimentos e manter atividades economicamente viáveis.
Nesse contexto, a cooperação entre os países do BRICS pode abrir espaço para projetos conjuntos nas áreas científica, industrial e comercial. A discussão na Rússia busca justamente identificar quais oportunidades podem surgir e como os integrantes do bloco poderiam participar de uma possível nova etapa da exploração espacial.
*Da Agência Fonte Exclusiva
