Fiesp critica possível avanço do fim da escala 6×1 e pede análise técnica no Congresso

Entidade defende debate amplo sobre mudanças na jornada de trabalho e questiona inclusão das regras diretamente na Constituição.

Fiesp reage à tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e defende debate técnico antes de mudanças nas regras de jornada de trabalho.

Imagem: Reprodução/ Gettyimages.ru / Paulo Fridman / Colaborador/ Via RT

A tramitação da proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1 ganhou um novo ponto de tensão no Congresso. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se posicionou contra uma possível aceleração da discussão e defendeu que qualquer mudança na jornada seja precedida por uma análise detalhada dos impactos para trabalhadores e empresas.

A manifestação ocorreu após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhar na sexta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para avaliação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Em comunicado, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que a discussão sobre a jornada de trabalho precisa considerar estudos técnicos e as diferentes realidades existentes nos setores da economia. Para a entidade, o calendário eleitoral não deve ser utilizado como justificativa para acelerar a análise da proposta.

Fiesp questiona mudança na Constituição

Um dos principais pontos levantados pela federação é a possibilidade de estabelecer na própria Constituição Federal regras relacionadas às escalas de trabalho.

Na avaliação da Fiesp, empresas e trabalhadores de diferentes segmentos possuem necessidades específicas. Por isso, a entidade considera importante preservar mecanismos que permitam a negociação coletiva das condições de trabalho.

A federação argumenta que regras definidas por meio de acordos e convenções podem levar em consideração características particulares de cada atividade econômica, evitando uma solução única para setores com rotinas diferentes.

Entidade diz não ser contra o debate

Apesar das críticas, a Fiesp afirmou que não rejeita a discussão sobre uma eventual redução da jornada ou mudanças na organização do trabalho.

O principal questionamento da entidade está relacionado à velocidade da tramitação e à forma como as novas regras poderiam ser incorporadas à legislação brasileira.

Paulo Skaf classificou como uma “anomalia sem paralelo no mundo” a possibilidade de constitucionalizar regras específicas sobre escalas profissionais. Segundo ele, a autonomia das negociações coletivas deve ser preservada para permitir que empregadores e trabalhadores encontrem soluções adequadas às características de cada setor.

Proposta começa a avançar no Senado

Com o encaminhamento para a CCJ, a proposta que trata do fim da escala 6×1 entra em uma nova etapa de análise no Senado. O colegiado deverá avaliar aspectos relacionados à constitucionalidade e à tramitação da matéria antes que o texto possa avançar para outras fases.

A discussão ocorre em meio à pressão de setores que defendem uma jornada com mais períodos de descanso e de representantes empresariais que alertam para possíveis impactos sobre custos, produtividade e funcionamento das atividades econômicas.

Caso avance no Congresso, a proposta ainda precisará passar por outras etapas de votação antes de uma eventual mudança nas regras atualmente aplicadas aos trabalhadores brasileiros.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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