Um levantamento recente do Unicef revela que, mesmo entre famílias preocupadas com a alimentação dos filhos, alimentos ultraprocessados continuam sendo amplamente consumidos e associados a uma “infância feliz” e, em alguns casos, a status social.
A pesquisa, realizada em comunidades urbanas da Pavuna (Rio de Janeiro), Ibura (Recife) e Guamá (Belém), aponta que metade das crianças entrevistadas consumiu algum ultraprocessado no dia anterior ao estudo, principalmente nos lanches.
Produtos como iogurtes saborizados e empanados preparados na air fryer são frequentemente vistos como nutritivos, classificados pelo levantamento como “falsos saudáveis”.
Stephanie Amaral, oficial de Saúde e Nutrição do Unicef, destacou que a rotulagem nutricional frontal, implementada no Brasil em 2022, tem efeito limitado: 55% das famílias nunca consultam essas informações e 15% acreditam que alimentos com o selo são mais saudáveis ou equivalentes a outros produtos.
O estudo aponta que fatores como preço acessível, praticidade e a sobrecarga das mães, responsáveis por comprar e preparar a maior parte das refeições, pesam fortemente na escolha dos alimentos.
O cenário para a saúde infantil é preocupante. Em 2023, mais de 13% das crianças de até cinco anos e mais de 30% dos adolescentes estavam acima do peso, com a obesidade se tornando a forma mais comum de má nutrição no país.
A pesquisa também destaca dificuldades para a prática de atividades físicas, como a falta de segurança e espaços adequados, embora ressalte aspectos positivos, como a valorização das refeições caseiras e políticas públicas voltadas à promoção de hábitos alimentares saudáveis desde a infância.
*Da Agência Fonte Exclusiva
