Perda gestacional exige atenção também à saúde mental

Febrasgo alerta para sinais de sofrimento prolongado e reforça importância do acolhimento psicológico durante o Setembro Amarelo.

Febrasgo alerta para os impactos emocionais da perda gestacional e orienta sobre sinais que indicam necessidade de acompanhamento especializado.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

A dor provocada pela perda de uma gestação não termina necessariamente com a recuperação física. Durante o Setembro Amarelo, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) chama atenção para os efeitos emocionais que podem surgir após um aborto espontâneo ou morte fetal e para a importância de oferecer acolhimento adequado às mulheres.

Tristeza profunda, culpa, ansiedade, irritabilidade, dificuldade para dormir e perda de interesse pelas atividades cotidianas podem fazer parte do período de luto. Segundo a entidade, essas reações não significam, por si só, a existência de um transtorno psiquiátrico.

O sinal de alerta aparece quando o sofrimento persiste e começa a impedir a retomada da rotina.

Entre os sintomas que merecem avaliação profissional estão isolamento social, insônia prolongada, crises frequentes de ansiedade ou pânico, sentimento intenso de culpa, lembranças invasivas da perda, pesadelos e pensamentos recorrentes sobre a morte ou desejo de não viver.

Acolhimento faz diferença

Para a Febrasgo, a forma como familiares e profissionais de saúde acolhem a mulher pode influenciar diretamente o processo de recuperação.

Comentários que minimizam a perda ou tentativas de apressar uma nova gravidez devem dar lugar à escuta, ao respeito e ao reconhecimento do luto.

O acompanhamento pode envolver ginecologista, psicólogo e, quando necessário, psiquiatra. Outros profissionais também podem fazer parte do cuidado de acordo com as necessidades de cada paciente.

A entidade ressalta ainda que o sofrimento não deve ser medido apenas pelo tempo de gestação. Cada mulher vivencia a perda de maneira diferente, de acordo com sua história, expectativas, rede de apoio e circunstâncias em que a interrupção ocorreu.

Onde procurar ajuda

Mulheres que percebam sofrimento emocional intenso podem buscar atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Os Caps oferecem acolhimento pelo SUS e podem ser procurados diretamente, sem necessidade de agendamento prévio para o primeiro atendimento.

Em situações de urgência, também estão disponíveis UPAs, prontos-socorros, hospitais e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo número 188, 24 horas por dia.

O alerta da Febrasgo durante o Setembro Amarelo reforça que reconhecer o luto e procurar ajuda quando o sofrimento compromete a vida cotidiana são partes importantes do cuidado após uma perda gestacional.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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