Pesquisadores das universidades de Melbourne e Monash, na Austrália, identificaram uma mutação genética que pode aumentar em até quatro vezes o risco de demência em homens acima dos 70 anos. O estudo, publicado recentemente, investigou dados de saúde e envelhecimento de mais de 19 mil adultos idosos saudáveis.
A análise focou nos níveis de ferritina no sangue — uma proteína que armazena ferro — e sua relação com alterações neurológicas. A mutação identificada é a H63D, que afeta o gene HFE, responsável por regular a absorção de ferro no corpo. Quando esse mecanismo é comprometido, o organismo pode acumular ferro em excesso, afetando órgãos como o cérebro.
De acordo com os cientistas, homens com duas cópias da mutação H63D têm até quatro vezes mais chance de desenvolver demência. Já aqueles com apenas uma cópia do gene alterado não apresentaram risco elevado.
Curiosamente, a mutação não afeta mulheres. “Não sabemos exatamente por que o efeito é exclusivo nos homens”, disse John Olynyk, da Faculdade de Medicina da Universidade Curtin e coautor do estudo. Ele acrescenta que, uma vez ativada, a mutação não pode ser revertida — restando apenas o tratamento dos impactos neurológicos já provocados.
A hemocromatose hereditária, causada por mutações no gene HFE, já é conhecida por levar ao acúmulo excessivo de ferro em órgãos como fígado e coração. Agora, este estudo adiciona o cérebro como possível alvo desse acúmulo, o que abre uma nova frente de pesquisa sobre o papel do ferro no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.
Embora os resultados ainda precisem ser aprofundados em novos estudos, os pesquisadores defendem que testes genéticos simples podem ajudar a identificar indivíduos em risco e monitorar mais de perto a saúde cerebral de homens idosos com a mutação H63D.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
