Ministério da Saúde avalia inclusão de PrEP injetável contra HIV no SUS

Cabotegravir é aplicado a cada dois meses e pode ampliar as opções de prevenção para pessoas que têm dificuldade de manter o uso diário de comprimidos.

Ministério da Saúde encaminha avaliação do cabotegravir à Conitec; PrEP injetável pode ampliar a prevenção do HIV pelo SUS.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ganhar uma nova opção para a prevenção da infecção pelo HIV. O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (27) o encaminhamento do cabotegravir para avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

O medicamento é administrado por meio de injeções com intervalo de dois meses e pode ser utilizado como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). A proposta foi anunciada durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Brasil pela primeira vez e com programação prevista até 31 de julho.

A análise da Conitec está prevista para agosto. O processo deverá avaliar aspectos relacionados à eficácia, segurança e viabilidade da incorporação antes de uma eventual decisão sobre a oferta do medicamento na rede pública.

PrEP injetável pode facilitar prevenção

A Profilaxia Pré-Exposição é indicada para pessoas que não têm HIV, mas apresentam risco de exposição ao vírus. A estratégia utiliza medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição e reduz significativamente a possibilidade de infecção.

Atualmente, o SUS oferece a PrEP na modalidade oral, com medicamentos que precisam ser utilizados de forma regular. Mais de 350 mil pessoas já iniciaram a prevenção por meio dos comprimidos disponibilizados pela rede pública.

A alternativa injetável poderá beneficiar especialmente pessoas que enfrentam dificuldades para manter uma rotina de medicação oral. Um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou preferência pela aplicação periódica entre os participantes avaliados, reforçando a possibilidade de que a modalidade de longa duração contribua para melhorar a adesão à prevenção.

Prevenção combina diferentes estratégias

A PrEP é apenas uma das ferramentas disponíveis para reduzir a transmissão do HIV. A chamada prevenção combinada reúne diferentes métodos, que podem ser utilizados de acordo com as necessidades e características de cada pessoa.

Entre as estratégias estão os preservativos, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), os testes rápidos e os autotestes. A combinação das medidas permite ampliar as possibilidades de prevenção e diagnóstico precoce.

Brasil registra avanços contra transmissão do HIV

O anúncio ocorre em um cenário de avanços brasileiros no enfrentamento ao HIV. Em dezembro do ano passado, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) reconheceu o Brasil como o primeiro país das Américas a alcançar uma taxa inferior a 2% de transmissão do HIV de mãe para filho.

Os dados apresentados durante a conferência também apontam uma redução global das mortes relacionadas à Aids. Em aproximadamente 15 anos, o número de óbitos caiu 47%. Apesar da melhora, cerca de 570 mil pessoas morreram em decorrência da doença no ano passado nos continentes analisados.

Financiamento internacional preocupa especialistas

Apesar dos avanços, organizações internacionais alertam para os riscos relacionados à redução dos recursos destinados ao combate ao HIV. A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, destacou a situação de países de baixa renda que dependem de financiamento internacional para manter programas de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Segundo a entidade, esses recursos sofreram uma redução superior a US$ 1,5 bilhão, atingindo o menor nível em quase 20 anos. A preocupação é que a diminuição dos investimentos comprometa políticas de saúde e contribua para o aumento de novas infecções.

O Unaids estima que cerca de 20 milhões de pessoas precisariam ter acesso à PrEP injetável de longa duração para que a Aids deixe de representar uma ameaça à saúde pública até 2030.

A possível chegada do cabotegravir ao SUS ainda depende da avaliação da Conitec e das demais etapas previstas no processo de incorporação de tecnologias. Se aprovado, o medicamento poderá ampliar as alternativas disponíveis para a prevenção do HIV na rede pública brasileira.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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