O aumento de volume nas pernas ou braços costuma gerar dúvidas e, muitas vezes, é associado apenas ao ganho de peso. No entanto, duas condições diferentes — lipedema e linfedema — podem provocar alterações semelhantes na aparência do corpo, apesar de terem origens distintas e exigirem abordagens específicas.
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura inflamada, geralmente localizado do quadril para baixo, podendo também atingir braços e abdômen. A principal característica é a distribuição desproporcional: enquanto o tronco permanece com medidas normais, os membros inferiores apresentam aumento de volume acompanhado de dor, sensibilidade e facilidade para surgimento de hematomas.
Alterações hormonais costumam estar associadas ao início do quadro, que frequentemente aparece na puberdade, gravidez ou após terapias hormonais. A pele pode apresentar ondulações e dificuldade para definição muscular, o que muitas vezes leva à confusão com celulite ou obesidade.
Diferentemente disso, o linfedema está ligado ao sistema linfático. Nessa condição ocorre retenção de líquido nos tecidos devido a falha na drenagem linfática, podendo ser congênita ou adquirida. O inchaço tende a ser progressivo e, em fases avançadas, pode provocar alterações cutâneas e deformidades.
Uma diferença importante está na dor: no lipedema ela costuma estar presente e é frequente, enquanto no linfedema geralmente predomina a sensação de peso e tensão local. Outro ponto de atenção é que o lipedema pode ocorrer mesmo em pessoas magras, o que dificulta o diagnóstico inicial.
A identificação é principalmente clínica, baseada na história do paciente e no exame físico. Exames de imagem auxiliam na exclusão de outras doenças e na avaliação da circulação venosa e linfática, mas não substituem a análise médica detalhada.
O tratamento varia conforme a condição. No lipedema, atividade física, fortalecimento muscular, alimentação equilibrada, compressão e fisioterapia ajudam no controle dos sintomas. Em estágios mais avançados, a cirurgia pode ser indicada para reduzir dor e melhorar mobilidade.
Já o linfedema exige controle do inchaço com terapias compressivas, cuidados com a pele e acompanhamento especializado para evitar complicações.
Apesar da aparência semelhante, o reconhecimento correto entre lipedema e linfedema é fundamental para evitar tratamentos inadequados e melhorar a qualidade de vida do paciente.
*Da Agência: Fonte Exclusiva
