Um estudo clínico publicado em 23 de março na revista científica JAMA Neurology avaliou se a melhora da saúde cardiovascular poderia contribuir para retardar o declínio cognitivo em idosos com risco de desenvolver Alzheimer. Após dois anos de acompanhamento, os pesquisadores não observaram diferenças significativas na função cognitiva entre os participantes que receberam intervenções e aqueles que seguiram cuidados habituais.
A pesquisa, chamada Risk Reduction for Alzheimer’s Disease (rrAD), envolveu 513 adultos com idades entre 60 e 85 anos, todos com fatores de risco associados ao comprometimento cognitivo, como hipertensão e histórico familiar de demência. Nenhum dos participantes havia sido diagnosticado previamente com Alzheimer.
Os voluntários foram divididos em quatro grupos distintos: um grupo participou de treinamento com exercícios aeróbicos, outro recebeu tratamento farmacológico intensivo para controle da pressão arterial e do colesterol, um terceiro grupo combinou as duas abordagens, e o quarto seguiu apenas o acompanhamento médico convencional.
Ao final de 24 meses, os pesquisadores avaliaram a função cognitiva dos participantes por meio de testes padronizados utilizados em estudos sobre Alzheimer. Os resultados indicaram que, apesar da melhora nos indicadores de saúde cardiovascular, não houve diferenças estatisticamente relevantes no desempenho cognitivo entre os grupos analisados.
Os autores do estudo destacaram que a melhora dos fatores de risco cardíacos, embora benéfica para a saúde geral, pode não ser suficiente isoladamente para prevenir ou retardar o comprometimento cognitivo em pessoas com maior probabilidade de desenvolver a doença.
Os resultados também se somam a outras pesquisas recentes que investigam diferentes estratégias de prevenção do Alzheimer. Especialistas apontam que o desenvolvimento da doença envolve múltiplos fatores, incluindo aspectos genéticos, metabólicos, inflamatórios e relacionados ao estilo de vida, o que torna a prevenção um desafio complexo.
Os pesquisadores sugerem que abordagens mais amplas, que combinem diferentes intervenções ao longo de períodos mais extensos, podem ser necessárias para compreender melhor como reduzir o risco de declínio cognitivo. Entre as possibilidades futuras estão estratégias que integrem estímulos cognitivos, hábitos de vida saudáveis e controle de fatores clínicos.
Apesar dos resultados, os especialistas reforçam que a prática de exercícios físicos e o controle da saúde cardiovascular continuam sendo recomendados por seus benefícios comprovados para a qualidade de vida e prevenção de diversas doenças.
*Da Agência Fonte Exclusiva
