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Home Saúde
Estudo preliminar encontrou maior quantidade de microplásticos em pacientes com câncer de pulmão, mas não comprovou relação de causa e efeito.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Estudo encontra maior presença de microplásticos em pacientes com câncer de pulmão

Pesquisa identificou partículas em 70% dos participantes, mas pesquisadores alertam que ainda não é possível afirmar que o plástico provoque a doença.

redacao Por redacao
06/09/2026 - 20:29
em Saúde
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A presença de microplásticos no sistema respiratório pode estar relacionada a alterações observadas em pessoas com câncer de pulmão. Essa é uma das hipóteses levantadas por uma pesquisa que encontrou uma quantidade maior dessas partículas entre pacientes diagnosticados com a doença.

Os resultados ainda são preliminares e serão apresentados no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, previsto para outubro, na Espanha. O estudo analisou 100 pessoas atendidas em um hospital na Grécia que estavam passando por investigação de sintomas respiratórios.

Dos participantes, metade recebeu diagnóstico de câncer de pulmão. Considerando todo o grupo, microplásticos foram identificados em pelo menos uma das amostras coletadas em 70% dos casos. Entre os pacientes com câncer, porém, os pesquisadores observaram uma frequência maior e concentrações mais elevadas das partículas.

Microplásticos foram encontrados nas vias respiratórias

A identificação dos resíduos foi feita a partir de amostras coletadas por broncoscopia, procedimento utilizado para examinar o interior das vias aéreas e retirar material para análise.

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Em alguns participantes, os pesquisadores também avaliaram pequenos fragmentos de tecido pulmonar. Ao todo, foram encontradas 232 partículas de microplásticos.

Entre os materiais mais frequentes estavam o polipropileno e o polietileno, plásticos presentes em uma grande variedade de produtos, como embalagens, tecidos e objetos utilizados no dia a dia.

Os pesquisadores também perceberam diferenças no local em que as partículas estavam concentradas. Em determinados casos, os microplásticos apareceram principalmente nas vias aéreas. Em outros, foram identificados em maior quantidade no próprio tecido pulmonar.

Estudo não confirma que microplásticos causam câncer

Apesar da diferença encontrada entre os participantes com e sem câncer, os resultados não permitem afirmar que a exposição aos microplásticos seja responsável pelo desenvolvimento da doença.

Os cientistas ainda precisam determinar se a inalação dessas partículas pode contribuir para alterações que favoreçam o surgimento do câncer ou se o próprio câncer provoca mudanças no tecido pulmonar que facilitam a retenção dos resíduos.

Por isso, a pesquisa deve ser interpretada como uma investigação inicial sobre a presença de microplásticos no sistema respiratório, e não como uma demonstração de que essas partículas causam câncer de pulmão.

O trabalho, no entanto, reforça uma questão que vem sendo estudada pela comunidade científica: a possibilidade de partículas presentes no ambiente serem inaladas, permanecerem no organismo e produzirem efeitos sobre a saúde ao longo do tempo.

Segundo o pesquisador Ilias Dimeas, ainda é necessário entender melhor o comportamento desses materiais depois que chegam ao sistema respiratório.

“Precisamos entender onde essas partículas se depositam e se podem estar relacionadas a doenças”, afirmou.

Pesquisadores vão avaliar efeitos nas células pulmonares

A equipe responsável pelo estudo já iniciou novos experimentos para investigar de que maneira diferentes tipos de plástico podem interagir com células do pulmão.

Os próximos trabalhos também devem incluir pessoas com doenças respiratórias crônicas. A intenção é comparar diferentes condições de saúde e identificar com mais precisão os locais onde os microplásticos se acumulam.

Com novas análises, os pesquisadores esperam descobrir se essas partículas provocam alterações celulares ou inflamatórias e qual pode ser a importância desse material para a saúde respiratória.

Os resultados poderão ajudar a esclarecer uma questão que ainda permanece em aberto: se os microplásticos são apenas resíduos presentes no organismo ou se sua permanência no tecido pulmonar pode ter consequências para a saúde.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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