O diabetes vai muito além do controle da glicose e da alimentação. Uma pesquisa internacional divulgada recentemente revelou que a doença tem provocado impactos profundos na saúde emocional dos brasileiros diagnosticados com a condição.
Segundo o levantamento, sete em cada dez pessoas com diabetes no país afirmam que convivem com prejuízos significativos no bem-estar emocional.
O estudo foi realizado pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, e ouviu mais de 4 mil pessoas em 22 países. No Brasil, os dados chamaram atenção principalmente pelos relatos de ansiedade, medo do futuro e sensação de isolamento social associados ao convívio diário com a doença.
De acordo com a pesquisa, 78% dos brasileiros entrevistados disseram sentir preocupação constante em relação ao futuro por causa do diabetes. Além disso, cerca de 40% relataram sentimentos de solidão ou isolamento relacionados à condição de saúde.
O levantamento também identificou impactos na rotina. Mais da metade dos entrevistados afirmou que a doença interfere na capacidade de permanecer longos períodos fora de casa.
Outros participantes relataram dificuldades para lidar com situações comuns do cotidiano, como trânsito intenso, reuniões prolongadas e noites de sono inadequadas devido às oscilações da glicose.
O estudo destacou ainda que muitos pacientes não se sentem plenamente seguros no controle da doença. Apenas 35% dos entrevistados disseram confiar totalmente na própria capacidade de gerenciar o diabetes diariamente.
Entre as principais demandas dos pacientes está o acesso a tecnologias capazes de prever alterações nos níveis de glicose. Sensores inteligentes e monitoramento contínuo aparecem como ferramentas desejadas para reduzir episódios inesperados de hipoglicemia e hiperglicemia, especialmente entre pessoas com diabetes tipo 1.
O endocrinologista André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, ressaltou que o uso de sensores contínuos pode representar um avanço importante na qualidade de vida dos pacientes.
Segundo ele, essas tecnologias ajudam a antecipar alterações glicêmicas, permitindo ações preventivas antes que o quadro se agrave. O especialista também destacou que o monitoramento contínuo pode reduzir internações, atendimentos de emergência e complicações associadas à doença.
Apesar dos avanços tecnológicos já disponíveis em diversos países, o acesso aos sensores ainda é limitado no Brasil, principalmente no sistema público de saúde. Atualmente, os dispositivos são mais comuns entre pacientes atendidos pela rede privada.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o monitoramento contínuo de glicose por escaneamento intermitente para pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2.
No entanto, um projeto de lei que prevê a oferta gratuita desses equipamentos segue em análise no Congresso Nacional.
Hoje, o Brasil ocupa a sexta posição entre os países com maior número de adultos diagnosticados com diabetes no mundo, segundo dados da International Diabetes Federation (IDF), com cerca de 16,6 milhões de pessoas convivendo com a doença.
*Da Agência Fonte Exclusiva
