O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros aumentou significativamente nos últimos anos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE, mostram que 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram algum desses dispositivos. Em 2019, o percentual era de 16,8%.
O levantamento avaliou o contato dos estudantes com diferentes produtos relacionados ao tabaco. A lista inclui cigarro tradicional, narguilé, cigarro eletrônico, vape, pod e outros dispositivos.
A pesquisa também procurou entender quando os adolescentes tiveram o primeiro contato com esses produtos, se haviam consumido recentemente, como conseguiram acesso a eles e se estavam expostos à fumaça produzida por outras pessoas.
Cigarro eletrônico não é inofensivo
Apesar de muitas vezes ser divulgado como uma opção diferente do cigarro convencional, o cigarro eletrônico também pode trazer riscos à saúde.
O epidemiologista André Szklo, da Divisão de Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), explica que o uso desses dispositivos está relacionado a diferentes problemas que podem afetar o organismo.
Entre os possíveis impactos estão alterações cardiovasculares e metabólicas e problemas no sistema respiratório. Durante a gravidez, o consumo também pode aumentar riscos como parto prematuro e baixo peso do bebê ao nascer.
Os problemas relacionados ao tabagismo tradicional são igualmente amplos. O hábito está associado a doenças cardiovasculares e respiratórias, pneumonia e acidente vascular cerebral (AVC).
Outro ponto de preocupação é a dependência. O contato com a nicotina pode começar ainda na adolescência e fazer com que o consumo se prolongue por muitos anos.
Efeitos do cigarro podem aparecer muito tempo depois
Os danos provocados pelo tabagismo nem sempre surgem enquanto a pessoa ainda fuma. Algumas consequências podem aparecer anos depois.
A aposentada Valquíria Bastos, de 72 anos, deixou o cigarro há aproximadamente duas décadas. Mesmo assim, posteriormente enfrentou problemas de saúde relacionados ao período em que manteve o hábito.
Segundo ela, foram descobertos dois tumores, sendo um no pulmão e outro no mediastino.
A história também mostra que parar de fumar continua sendo importante mesmo depois de anos de consumo. Abandonar o cigarro traz benefícios ao organismo e pode reduzir os riscos associados ao tabagismo ao longo do tempo.
Quem não fuma também pode ser afetado
Os efeitos do tabagismo não atingem somente quem acende o cigarro.
Pessoas que convivem com fumantes podem respirar a fumaça liberada no ambiente e ficar expostas ao chamado tabagismo passivo. Essa exposição também está relacionada a problemas de saúde.
Por esse motivo, manter ambientes livres da fumaça é uma medida importante de proteção. A recomendação é especialmente relevante para crianças e adolescentes, que podem ser expostos involuntariamente dentro de casa, em veículos ou em outros espaços fechados.
SUS oferece tratamento gratuito
Quem quer parar de fumar pode procurar ajuda profissional. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para pessoas que desejam abandonar o tabagismo.
O acompanhamento pode envolver profissionais de saúde e, quando houver indicação, medicamentos que ajudam a controlar a dependência da nicotina.
O tratamento é definido de acordo com a situação de cada pessoa. Buscar orientação profissional pode facilitar o processo e aumentar as chances de conseguir abandonar o hábito.
Aumento entre adolescentes reforça alerta
O salto registrado pela PeNSE chama atenção principalmente porque o contato com cigarros eletrônicos ocorre cada vez mais cedo.
Para especialistas, prevenir o primeiro contato com produtos que contêm nicotina é uma das formas de reduzir o risco de dependência. Informação, acompanhamento familiar, ambientes livres da fumaça e acesso ao atendimento de saúde são medidas importantes nesse processo.
O crescimento da experimentação entre estudantes de 13 a 17 anos reforça, portanto, a necessidade de ampliar as ações de prevenção e conscientização sobre os riscos dos cigarros eletrônicos e de outros produtos de tabaco.
*Da Agência Fonte Exclusiva
