Um estudo internacional publicado em 25 de março na revista científica Nature identificou que hormônios masculinos, conhecidos como andrógenos, podem estar associados ao crescimento de um tipo raro e agressivo de tumor cerebral infantil chamado ependimoma tipo A da fossa posterior (PFA).
A pesquisa aponta que o desenvolvimento do tumor pode não estar ligado apenas a mutações genéticas, como ocorre em muitos tipos de câncer, mas também à ação hormonal durante as fases iniciais do desenvolvimento cerebral.
O ependimoma PFA é um tumor que costuma atingir bebês e crianças muito pequenas, geralmente por volta dos três anos de idade. Atualmente, as opções de tratamento são limitadas principalmente à cirurgia e à radioterapia, procedimentos que podem trazer impactos significativos ao desenvolvimento neurológico.
O estudo foi conduzido por pesquisadores de instituições como Baylor College of Medicine, Texas Children’s Hospital, McGill University e University of Pittsburgh School of Medicine. A investigação buscou compreender por que esse tipo de tumor ocorre com maior frequência em meninos e apresenta taxas de sobrevida mais baixas nesse grupo.
Utilizando modelos experimentais e células tumorais derivadas de pacientes, os cientistas observaram que os andrógenos — grupo de hormônios que inclui a testosterona — podem manter as células tumorais em um estado imaturo, favorecendo sua multiplicação.
Os resultados indicaram que, ao bloquear a sinalização desses hormônios em testes laboratoriais, houve redução no crescimento do tumor e diminuição da atividade celular associada à progressão da doença.
Os pesquisadores destacam que o efeito observado foi específico para esse tipo de tumor, não sendo identificado em outros tumores cerebrais pediátricos analisados durante o estudo.
Apesar da descoberta representar um avanço importante para a compreensão da doença, os cientistas ressaltam que os resultados ainda estão em fase pré-clínica e que novos estudos serão necessários antes da aplicação em tratamentos para pacientes.
A expectativa é que o aprofundamento das pesquisas permita o desenvolvimento de terapias mais direcionadas e menos invasivas no futuro, ampliando as possibilidades de tratamento para crianças diagnosticadas com esse tipo de tumor raro.
*Da Agência Fonte Exclusiva
