CFM autoriza uso de plasma rico em plaquetas como tratamento auxiliar

Técnica utiliza componentes do próprio sangue do paciente e poderá ser indicada de forma individualizada em determinadas condições de saúde.

CFM autoriza o uso terapêutico do plasma rico em plaquetas, técnica que pode auxiliar no controle da dor, inflamação e recuperação de tecidos.

Imagem: Reprodução/ CFM

Uma técnica que utiliza componentes do próprio sangue do paciente acaba de ganhar autorização para ser empregada como recurso auxiliar no tratamento de determinadas condições de saúde.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso do plasma rico em plaquetas (PRP), procedimento que concentra plaquetas presentes no sangue e pode ser utilizado de maneira individualizada.

A terapia é estudada por seus possíveis efeitos no controle da dor e da inflamação e no processo de recuperação de tecidos lesionados. Até o primeiro semestre de 2026, o uso do PRP na prática médica estava principalmente relacionado a pesquisas clínicas, incluindo estudos sobre sua aplicação como tratamento complementar em casos de artrose.

A nova autorização, porém, não significa que o procedimento seja indicado para todos os pacientes ou para qualquer doença. A decisão sobre sua utilização deve ser tomada pelo médico após avaliar as características de cada caso.

PRP pode ter melhores resultados em artrose leve ou moderada

Segundo o ortopedista Roney Santana, do Hospital Mater Dei Salvador, os resultados do PRP podem variar conforme o estágio da doença. Em pacientes com artrose leve ou moderada, por exemplo, a resposta ao tratamento tende a ser mais favorável.

Nos casos mais avançados, quando existe um desgaste maior da articulação, os benefícios podem ser mais limitados. Nessas situações, o paciente pode precisar de outras estratégias de tratamento, inclusive procedimentos cirúrgicos.

Por isso, o especialista destaca a importância de avaliar cada paciente individualmente. Em determinadas situações, o PRP pode ser considerado desde os primeiros momentos após o diagnóstico, com o objetivo de controlar sintomas e tentar retardar a evolução do problema ou adiar a necessidade de uma cirurgia.

Nem todo paciente pode realizar o procedimento

Apesar de utilizar material retirado do próprio paciente, o PRP não é indicado para todas as pessoas.

Pacientes com câncer, infecções no local onde a aplicação seria realizada ou algumas alterações relacionadas ao sangue podem não ser considerados candidatos à terapia.

Também é necessário ter atenção em casos de distúrbios de coagulação e outras alterações hematológicas. Nessas situações, o médico precisa avaliar cuidadosamente os possíveis riscos antes de recomendar o procedimento.

Tratamento deve ser complementar

A autorização do CFM não coloca o PRP como substituto dos tratamentos convencionais. A técnica deve ser utilizada como um recurso terapêutico auxiliar, de acordo com o diagnóstico e as necessidades de cada paciente.

Na prática, isso significa que a aplicação do plasma rico em plaquetas não deve ser vista como uma solução isolada para doenças como a artrose. O acompanhamento médico continua sendo fundamental para definir quais tratamentos são mais adequados.

A indicação deve considerar fatores como o diagnóstico, o estágio da doença, o histórico clínico, as condições de saúde do paciente e a relação entre os possíveis benefícios e riscos do procedimento.

O avanço na regulamentação amplia as possibilidades de utilização do PRP na medicina, mas também reforça a necessidade de evitar promessas generalizadas sobre seus resultados. A resposta ao tratamento pode variar de uma pessoa para outra, e a decisão pela terapia deve sempre ser feita de forma individualizada.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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