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Brasil mantém alta taxa de cesarianas e vê queda dos partos vaginais no SUS. Especialistas alertam para riscos de cirurgias sem indicação médica para mães e bebês.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Cesáreas avançam no Brasil e reacendem alerta sobre partos sem indicação médica

Levantamentos apontam queda dos partos vaginais no SUS e crescimento das cirurgias, cenário que preocupa especialistas em saúde materna e neonatal.

redacao Por redacao
27/06/2026 - 11:20
em Saúde
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O aumento das cesarianas no Brasil voltou a acender um sinal de alerta na saúde pública.

Mesmo com campanhas de incentivo ao parto vaginal quando não há contraindicação médica, o país segue entre os que mais realizam nascimentos por via cirúrgica no mundo, cenário que preocupa especialistas pela possibilidade de intervenções sem necessidade clínica.

Dados internacionais apontam que mais da metade dos nascimentos no Brasil ocorre por cesariana.

O índice evidencia uma tendência consolidada no país e reforça o debate sobre os limites entre a escolha da paciente, a conduta médica e a segurança no parto.

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A preocupação ganhou novo destaque com uma análise sobre os nascimentos realizados no Sistema Único de Saúde. Entre 2009 e 2023, os partos vaginais feitos na rede pública brasileira tiveram queda expressiva.

No mesmo período, a proporção de cesarianas apresentou crescimento relativo, mostrando que a tendência não se limita ao setor privado.

O levantamento identificou mudanças importantes no padrão de nascimento em diferentes regiões do país. O Nordeste, que historicamente registrava menores percentuais de cesáreas, passou a apresentar aumento relevante desse tipo de procedimento.

Nas demais regiões, o avanço também foi observado em praticamente todos os estados, com exceção de Roraima, onde houve redução da taxa no período analisado.

Além das implicações clínicas, o crescimento das cesarianas também afeta a estrutura hospitalar.

Por se tratar de uma cirurgia, o procedimento costuma exigir maior tempo de internação, mais recursos, equipes especializadas, materiais e acompanhamento no pós-operatório.

Em um sistema público que realiza grande volume de partos, esse avanço pode ampliar a pressão sobre leitos e custos assistenciais.

Especialistas afirmam que o fenômeno não pode ser explicado apenas por razões médicas. No Brasil, a cesariana passou a ser associada, ao longo das décadas, a uma ideia de modernidade, controle, conveniência e segurança. Essa percepção ajudou a consolidar uma cultura em que o parto cirúrgico, muitas vezes, é visto como alternativa mais confortável ou previsível.

O medo da dor também influencia a decisão de muitas gestantes. Embora o alívio da dor durante o trabalho de parto seja um direito, profissionais da área apontam que o acesso à analgesia nem sempre ocorre de forma adequada.

Quando a mulher não tem segurança sobre o acolhimento que receberá, a cesariana pode parecer uma escolha mais protegida.

Outro fator citado no debate é a formação dos profissionais de obstetrícia. Parte dos médicos mais jovens tem menos experiência com técnicas utilizadas em situações específicas do parto vaginal, como fórceps e vácuo extrator.

A falta de treinamento ou segurança diante de intercorrências pode contribuir para uma maior indicação de cesarianas.

Apesar do alerta, especialistas reforçam que a cesariana não deve ser demonizada. O procedimento é essencial e pode salvar vidas quando há indicação clínica, como em casos de sofrimento fetal, placenta prévia, complicações maternas ou outras situações de risco. O problema está na realização de cirurgias eletivas sem justificativa médica clara.

Quando feita sem necessidade, a cesárea pode aumentar o risco de complicações para a mulher, como hemorragia, infecção, trombose, problemas relacionados à anestesia e recuperação mais lenta.

Também pode trazer impactos em gestações futuras, incluindo maior risco de placenta prévia e acretismo placentário.

Para os bebês, a cesariana eletiva, especialmente antes do início do trabalho de parto, pode estar associada a maior chance de desconforto respiratório, necessidade de internação em UTI neonatal e alterações iniciais na formação da microbiota intestinal.

Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente, com informação qualificada e acompanhamento adequado.

O estudo também chamou atenção para gestantes com 40 anos ou mais. Mulheres nessa faixa etária apresentaram piores indicadores hospitalares, sobretudo quando submetidas à cesariana.

A idade materna avançada exige maior vigilância durante a gestação, pois pode estar relacionada a riscos como hipertensão, diabetes gestacional e outras complicações.

Ainda assim, idade por si só não deve ser considerada motivo automático para uma cesárea. Com pré-natal adequado, avaliação de riscos e estrutura hospitalar preparada, muitas mulheres mais velhas podem ter parto vaginal com segurança.

A redução de cesarianas desnecessárias depende de mudanças em várias frentes. Entre as medidas defendidas estão mais informação para gestantes, fortalecimento da formação médica, ampliação das equipes multiprofissionais, presença de enfermeiras obstétricas, melhoria da infraestrutura hospitalar e garantia efetiva de analgesia e acolhimento durante o parto.

Também é necessário combater a ideia de que parto seguro é, obrigatoriamente, parto cirúrgico agendado.

Para especialistas, o modelo ideal deve combinar respeito à autonomia da mulher, assistência baseada em evidências e capacidade de resposta rápida quando houver risco real para mãe ou bebê.

O avanço das cesarianas no SUS mostra que o desafio vai além da sala de parto. A questão envolve cultura médica, organização hospitalar, direitos das gestantes, financiamento público e educação em saúde.

O objetivo não é reduzir o acesso à cesariana quando ela é necessária, mas garantir que o procedimento seja usado de forma criteriosa.

As discussões sobre o tema apontam para uma meta central: assegurar partos mais seguros, respeitosos e baseados em evidências.

Reduzir intervenções evitáveis pode melhorar os desfechos maternos e neonatais e fortalecer a qualidade da assistência ao nascimento no Brasil.

*Da Agência  Fonte Exclusiva

Tags: #Brasil#Cesárea#Gestação#Maternidade#Obstetrícia#PartoHumanizado#PartoNormal#SaúdeDaMulher#SaúdePública#SUS
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