A CeraVe, marca pertencente ao grupo L’Oréal, enfrenta ações coletivas nos Estados Unidos relacionadas a produtos específicos para o tratamento da acne. Os processos alegam que fórmulas com peróxido de benzoíla poderiam formar benzeno, substância reconhecida como cancerígena.
A controvérsia ganhou força em 2024, quando o laboratório independente Valisure informou ter encontrado benzeno em diferentes tratamentos contra acne formulados com peróxido de benzoíla. Segundo o laboratório, o ingrediente poderia se decompor durante o armazenamento, especialmente em temperaturas elevadas, e dar origem à substância.
Com base nesses testes, consumidores entraram com ações contra a L’Oréal e outras empresas, alegando que os produtos teriam sido comercializados sem advertências suficientes sobre essa possibilidade. No caso da CeraVe, os processos mencionam principalmente versões do Acne Foaming Cream Cleanser vendidas nos Estados Unidos.
As alegações, porém, ainda não foram confirmadas por decisão judicial definitiva. Também não há comprovação pública de que consumidores tenham desenvolvido câncer em consequência direta do uso desses produtos.
Depois das denúncias, a Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos, realizou testes próprios em 95 produtos contra acne com peróxido de benzoíla.
A FDA informou que mais de 90% dos itens analisados apresentaram níveis indetectáveis ou extremamente baixos de benzeno. Apenas alguns lotes foram retirados do varejo de forma voluntária. A lista incluiu produtos de marcas como La Roche-Posay, Proactiv, Walgreens e SLMD, mas nenhum produto da CeraVe apareceu no comunicado oficial de recolhimento.
A agência também afirmou que seus testes encontraram resultados menos alarmantes do que os divulgados pelo laboratório independente. Segundo a FDA, diferenças nos métodos de análise e nas condições utilizadas durante os testes podem produzir valores distintos.
Embora o benzeno seja reconhecido como cancerígeno para seres humanos, sua simples detecção em um produto não significa que o consumidor desenvolverá câncer. O risco depende da quantidade encontrada, da frequência de uso e do tempo de exposição.
Na avaliação da FDA, mesmo nos produtos que apresentaram níveis mais elevados, o risco de uma pessoa desenvolver câncer após o uso diário durante décadas seria muito baixo.
Outro ponto importante é que a discussão não envolve toda a linha CeraVe. As ações estão relacionadas a determinados produtos contra acne que contêm peróxido de benzoíla. Hidratantes, loções corporais, protetores solares e sabonetes comuns da marca não devem ser associados automaticamente ao caso.
Também não está confirmado que os produtos citados nos processos americanos tenham exatamente a mesma fórmula, fabricação ou distribuição das versões vendidas no Brasil.
Quem utiliza produtos contra acne com peróxido de benzoíla pode conferir o nome, o lote, a validade e as orientações de armazenamento presentes na embalagem. Esses itens devem ser protegidos do calor excessivo e utilizados conforme as recomendações do fabricante ou de um profissional de saúde.
Até o momento, não há orientação oficial para interromper indiscriminadamente o uso de todos os produtos com peróxido de benzoíla. Consumidores que tiverem dúvidas sobre uma marca, um lote específico ou o tratamento da acne devem procurar um dermatologista ou farmacêutico.
Em resumo, a CeraVe enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos, mas as acusações ainda não foram comprovadas. A marca também não apareceu na lista de produtos recolhidos pela FDA após os testes oficiais. Portanto, não é correto afirmar que os produtos da CeraVe causam câncer ou que toda a linha oferece risco.
*Da Agência Fonte Exclusiva
