O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso a provas apreendidas pelas autoridades da Bolívia durante uma investigação envolvendo o argentino Fernando Cerimedo.
A legenda quer verificar se equipamentos encontrados em imóveis ligados ao empresário podem ter sido utilizados em ações relacionadas às eleições brasileiras de 2026.
O pedido foi apresentado pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP) e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada pelo portal Poder360 nesta quinta-feira (27).
Entre os materiais citados está uma estrutura descrita como uma “mini granja de bots”, encontrada durante as buscas realizadas na Bolívia. O PT quer saber se os equipamentos poderiam ter sido usados para produzir, automatizar ou espalhar conteúdos relacionados ao processo eleitoral brasileiro.
Investigação na Bolívia
Fernando Cerimedo foi detido na Bolívia em 18 de agosto. Três dias depois, a Justiça determinou sua prisão preventiva em uma investigação relacionada a um suposto atentado contra sua ex-namorada, a advogada Nadia Beller.
Na avaliação de Rui Falcão, os equipamentos apreendidos podem ajudar a esclarecer questões que ficaram pendentes em investigações realizadas no Brasil sobre a atuação de Cerimedo depois das eleições de 2022.
O deputado também solicita que sejam verificadas possíveis comunicações entre Cerimedo e pessoas investigadas no Brasil, entre elas o ex-ajudante de ordens Mauro Cid.
Cerimedo ficou conhecido no Brasil por participar da divulgação de alegações falsas sobre as urnas eletrônicas. Em 2024, ele foi indiciado pela Polícia Federal por suposta participação na disseminação de informações falsas sobre uma possível fraude eleitoral após as eleições de 2022.
Apesar do indiciamento, Cerimedo não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na época, a investigação não conseguiu esclarecer completamente se ele teria atuado apenas na divulgação dos conteúdos ou se possuía participação direta na estrutura responsável pela produção e distribuição das informações.
Live com Eduardo Bolsonaro entrou no pedido
O PT também cita uma transmissão ao vivo realizada por Cerimedo com o deputado Eduardo Bolsonaro em 23 de julho. Durante a conversa, os dois levantaram questionamentos sobre a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras.
Para Rui Falcão, a transmissão, somada à apreensão dos equipamentos na Bolívia, é suficiente para justificar uma nova apuração sobre uma possível utilização dessa estrutura em atividades relacionadas às eleições de 2026.
O documento apresentado ao STF também menciona uma reunião de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, com diplomatas estrangeiros. Segundo o pedido, questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro também foram discutidas no encontro.
PT quer cooperação com autoridades bolivianas
Na solicitação encaminhada ao STF, Rui Falcão pede que as autoridades da Bolívia preservem os equipamentos e os dados apreendidos durante a investigação.
O deputado também quer acesso a laudos, inventários e outros documentos produzidos pelas autoridades bolivianas a partir da análise do material.
Outro ponto do pedido é a investigação de possíveis mensagens, pagamentos, contratos e clientes relacionados às eleições brasileiras de 2022 e 2026. A apuração poderia incluir contas utilizadas, endereços de internet e conteúdos que tenham alguma ligação com o Brasil.
Rui Falcão solicita ainda que as investigações envolvendo Cerimedo sejam retomadas e que eventuais provas relacionadas ao processo eleitoral sejam encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria-Geral Eleitoral.
O pedido se apoia em mecanismos de cooperação jurídica internacional previstos em acordo de assistência mútua em matéria penal firmado entre países do Mercosul, além da Bolívia e do Chile. O tratado permite o intercâmbio de informações e provas entre autoridades dos países envolvidos em investigações.
A solicitação ainda deverá ser analisada pelo Supremo, que poderá decidir sobre os pedidos de preservação e compartilhamento das informações apreendidas na Bolívia.
*Da Agência Fonte Exclusiva
