Parlamentares argentinos buscam diálogo com governo brasileiro em meio à crise entre Lula e Milei

Delegação foi recebida por Mauro Vieira no Itamaraty e deve se reunir com integrantes do governo e do Congresso nesta quarta-feira.

Deputados e uma senadora da Argentina se reuniram com Mauro Vieira em Brasília em meio ao aumento das tensões entre os governos Lula e Javier Milei.

Imagem: Reprodução/ Gettyimages.ru / Noel Celis - Pool/ Via RT

A crise na relação entre os governos de Brasil e Argentina levou uma delegação de parlamentares argentinos a Brasília em busca de uma aproximação com autoridades brasileiras. Nesta terça-feira (1º), nove deputados e uma senadora do país vizinho foram recebidos pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Itamaraty.

O encontro com o chanceler brasileiro não fazia parte da programação inicial da comitiva. A reunião foi confirmada pelo Itamaraty para as 18h, mas o Ministério das Relações Exteriores não divulgou os temas discutidos durante a conversa.

A delegação argentina está em Brasília para cumprir uma agenda de reuniões com representantes do Executivo e do Legislativo brasileiro. Nesta quarta-feira (2), os parlamentares devem se encontrar com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no Palácio do Planalto, além de senadores brasileiros.

Entre os compromissos está uma reunião com Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Enquanto isso, Mauro Vieira estará em Montevidéu, no Uruguai, para participar de uma reunião informal com os ministros das Relações Exteriores dos demais países integrantes do Mercosul.

Parlamentares argentinos criticam postura de Milei

A comitiva é liderada por Nicolás Massor, que afirmou que a viagem tem como objetivo mostrar que parte da classe política argentina não concorda com a forma como Javier Milei vem conduzindo a relação com o Brasil.

Segundo o parlamentar, o grupo pretende demonstrar oposição aos ataques feitos pelo presidente argentino contra Luiz Inácio Lula da Silva e defender a manutenção do diálogo entre os dois países.

A relação entre os governos se deteriorou ainda mais no fim de julho, quando Milei participou de um evento ligado ao lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro e fez fortes críticas a Lula.

Na ocasião, o presidente argentino utilizou termos ofensivos para se referir ao presidente brasileiro e também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Troca de convocações aumentou tensão diplomática

A repercussão das declarações provocou reações nos dois países. O embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, foi convocado pelo governo brasileiro para prestar esclarecimentos. Em seguida, o governo argentino convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli.

Diante da continuidade dos atritos, o governo Lula decidiu dispensar Raimondi de suas funções no Brasil e manter Bitelli em território brasileiro. A medida aprofundou o desgaste diplomático entre Brasília e Buenos Aires.

Milei também passou por um período de redução de sua agenda oficial e permaneceu 24 dias sem comparecer à Casa Rosada. Depois, voltou a falar sobre Lula em entrevista concedida à rádio Mitre.

Durante a entrevista, o presidente argentino acusou o governo brasileiro de estar por trás de uma suposta campanha nas redes sociais contra a Argentina, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação.

Milei também mencionou um suposto episódio envolvendo um estudante ligado ao presidente brasileiro, a quem atribuiu a divulgação de um rumor de que argentinos estariam consumindo carne de burro diante dos efeitos da crise econômica.

A visita dos parlamentares argentinos ocorre, portanto, em um momento de forte desgaste político entre os governos dos dois países, enquanto setores da oposição argentina tentam manter canais de diálogo com Brasília.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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