Milei diz esperar que Brasil abandone “rumo socialista decadente”

Presidente argentino afirmou que participação na coalizão liderada pelos EUA é decisão brasileira e disse esperar mudança na orientação política do país.

Milei fala sobre Brasil, Flávio Bolsonaro e Escudo das Américas após participar da Assembleia Geral da ONU em Nova York.

AP / Charly Triballeau/Pool Photo via RT

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a comentar a política brasileira nesta quarta-feira (23), em Nova York. Após participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ele afirmou esperar que o Brasil abandone o que chamou de “rumo socialista decadente” e retome, segundo suas palavras, “a ideia da liberdade”. A expressão representa uma avaliação política do presidente argentino sobre o atual governo brasileiro.

A declaração foi dada quando Milei foi questionado sobre a possibilidade de o Brasil participar do Escudo das Américas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). O argentino afirmou que a decisão cabe ao próprio Brasil, mas manifestou expectativa de maior aproximação política do país com governos que integram a iniciativa.

O que é o Escudo das Américas

O Escudo das Américas foi lançado em março de 2026, durante uma reunião realizada na Flórida e liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A coalizão foi criada para ampliar a cooperação entre os países participantes no combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.

Atualmente, o grupo reúne os Estados Unidos e 14 países da América Latina e do Caribe: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Brasil e México não integram a coalizão.

Nesta semana, os integrantes anunciaram medidas contra 24 organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O documento prevê ações como congelamento de bens, restrições migratórias e punições a pessoas que prestem apoio material às organizações, de acordo com a legislação de cada país.

A classificação de facções criminosas como organizações terroristas não é automática no Brasil. A legislação brasileira adota critérios próprios para definir terrorismo, e uma mudança desse enquadramento dependeria de alterações legais e da atuação do Congresso Nacional.

Flávio Bolsonaro promete adesão se vencer eleição

Candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que pretende colocar o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito. O senador também defende um enquadramento mais duro de organizações envolvidas com o narcotráfico e o crime organizado.

A aproximação entre Flávio e Milei vem sendo construída ao longo da campanha presidencial. Em julho, o presidente argentino esteve em São Paulo para participar da convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador ao Palácio do Planalto.

Lula defende cooperação sem intervenção externa

O governo brasileiro tem adotado posição diferente em relação à iniciativa. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas rejeitou interferências externas e afirmou que o enfrentamento às facções deve respeitar a soberania brasileira.

Lula também alertou contra interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro. A manifestação ocorre em meio ao aumento da presença da política externa e da segurança regional no debate da eleição presidencial de outubro.

A fala de Milei, portanto, acrescenta mais um capítulo à diferença de posições entre Buenos Aires e Brasília sobre segurança regional, alinhamento com Washington e o papel dos Estados Unidos na América Latina.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Sair da versão mobile