Lula sanciona repasse de recursos das bets para fundo da Polícia Federal

Percentual destinado ao Funapol será ampliado gradualmente até chegar a 3% em 2028; nova lei também permite reforço de até R$ 200 milhões neste ano.

Lula sanciona lei que destina parte da arrecadação das bets ao Funapol, fundo da Polícia Federal. Repasse chegará a 3% a partir de 2028.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Parte dos recursos arrecadados com as apostas de quota fixa, conhecidas como bets, passará a financiar o fundo responsável pelo aparelhamento e pelas atividades operacionais da Polícia Federal.

A nova destinação foi sancionada nesta quinta-feira (30) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia no Palácio do Planalto.

O texto aprovado pelo Congresso modifica as fontes de receita e as possibilidades de utilização do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal, o Funapol.

A medida teve origem na Medida Provisória nº 1.348 de 2026, posteriormente transformada no Projeto de Lei de Conversão nº 8 de 2026. A proposta foi aprovada pelo Senado em 8 de julho e encaminhada à Presidência para sanção.

Repasse crescerá até 2028

A transferência dos recursos ocorrerá de forma progressiva. Em 2026, o Funapol receberá o equivalente a 1% da base de arrecadação prevista na legislação. O percentual passará para 2% em 2027 e alcançará 3% a partir de 2028.

Os percentuais incidem sobre o produto da arrecadação das apostas depois do pagamento dos prêmios e do desconto do Imposto de Renda. Os valores agora destinados ao fundo da Polícia Federal estavam anteriormente reservados à seguridade social.

A legislação também autoriza o governo federal a reforçar o Funapol com até R$ 200 milhões ainda em 2026. O repasse poderá ser realizado com recursos livres do Tesouro Nacional.

Fundo poderá pagar despesas de saúde

Além de criar uma nova fonte permanente de receita, a norma amplia as possibilidades de utilização do Funapol. Os recursos poderão ser empregados no ressarcimento de despesas de saúde dos servidores da Polícia Federal e no pagamento de retribuições relacionadas a atividades extraordinárias.

Durante a cerimônia, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a ampliação do auxílio-saúde poderá alcançar aproximadamente 30 mil famílias vinculadas à instituição.

Segundo Rodrigues, o investimento na assistência aos profissionais representa uma medida de valorização dos servidores que atuam em investigações, operações e outras atividades de segurança submetidas a riscos e elevados níveis de desgaste.

Mudança amplia flexibilidade do Funapol

Criado pela Lei Complementar nº 89 de 1997, o Funapol financia a infraestrutura, as operações e os serviços executados pela Polícia Federal. Entre suas receitas estão taxas relacionadas à emissão de passaportes, porte de armas, concursos públicos e outros serviços prestados pela corporação.

A legislação original permitia que até 30% dos recursos fossem empregados no pagamento de diárias. Em 2022, esse limite foi elevado para 50%, com a inclusão de despesas indenizatórias, gastos de saúde e compensações relacionadas à disponibilidade dos servidores.

Com a nova regra, deixa de existir um teto percentual para despesas dessa natureza. Também passam a ser expressamente previstos o ressarcimento de gastos de saúde e a retribuição por atividades extraordinárias.

PRF e Polícia Penal poderão ser incluídas

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também poderá estender o custeio de despesas de saúde aos servidores da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal Federal.

A criação de pagamentos por atividades extraordinárias para integrantes dessas duas corporações, entretanto, dependerá da aprovação de uma legislação específica.

Recursos reforçam atividades da Polícia Federal

O novo financiamento poderá ser utilizado para ampliar a capacidade institucional da Polícia Federal, custear ações operacionais e melhorar a assistência oferecida aos servidores.

O relator da medida no Congresso, deputado Aluisio Mendes, do Republicanos do Maranhão, defendeu o reforço financeiro como uma forma de valorizar os profissionais e fortalecer o combate às organizações criminosas.

A expectativa é que a receita proveniente das apostas contribua para a manutenção das estruturas da corporação, o desenvolvimento de investigações e a execução de operações em diferentes regiões do país.

A mudança altera a Lei Complementar nº 89 de 1997, que criou o Funapol, e a Lei nº 13.756 de 2018, responsável por regulamentar a distribuição de parte da arrecadação das loterias e das apostas de quota fixa.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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