Dino proíbe Mário Frias de deixar o país durante investigação sobre emendas

Deputado também não poderá manter contato com outros investigados da Operação Make Up, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos.

Flávio Dino proíbe Mário Frias de deixar o Brasil e manter contato com investigados da Operação Make Up, que apura suspeitas envolvendo emendas parlamentares.

Imagem: Reprodução/ Via RT

Novas restrições judiciais passaram a atingir investigados no suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares apurado pela Polícia Federal.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o deputado federal Mário Frias (PL-SP) de deixar o Brasil e de manter contato com outros envolvidos na investigação.

A determinação também prevê o recolhimento de passaportes e alcança outros investigados submetidos às mesmas medidas cautelares. A decisão havia sido tomada em 3 de setembro, mas tornou-se pública nesta quinta-feira (10), com a retirada do sigilo.

As medidas estão relacionadas à Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A ação cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Entre os alvos estão Mário Frias e a produtora Karina Gama, ligada à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Karina também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Emendas estão no centro da apuração

A investigação busca esclarecer o destino de recursos públicos repassados por meio de emendas parlamentares a organizações da sociedade civil.

Segundo a Polícia Federal, há suspeitas de que parte do dinheiro recebido pelas entidades tenha sido direcionada a empresas subcontratadas sem comprovação adequada da realização dos serviços previstos.

Os investigadores trabalham com a hipótese de existência de uma estrutura formada por agentes públicos e privados para desviar recursos e posteriormente ocultar sua origem. Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao grupo investigado.

O volume movimentado, no entanto, não significa que todo esse montante tenha sido desviado. Cabe à investigação identificar quais transações apresentam irregularidades e qual teria sido a participação individual dos envolvidos.

Dino aponta risco para investigação

Ao determinar as medidas cautelares, Flávio Dino considerou a possibilidade de interferência na produção das provas.

Entre os riscos mencionados estão eventual combinação de versões entre investigados, destruição ou ocultação de documentos e outras iniciativas capazes de prejudicar o andamento das apurações.

Além da proibição de deixar o país, os investigados alcançados pela decisão não poderão manter contato entre si.

Projeto em Pirassununga é investigado

Uma das linhas da apuração envolve recursos destinados pelo deputado Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil.

A investigação analisa emendas que somam cerca de R$ 2 milhões destinadas à entidade. Entre os projetos examinados está uma iniciativa de empreendedorismo estudantil em Pirassununga, no interior de São Paulo. A CGU apontou indícios de problemas na execução e na comprovação da aplicação de parte dos valores.

A PF também investiga eventual relação entre recursos movimentados pelas organizações e empresas e a produção do filme “Dark Horse”. Mário Frias atuou no projeto como produtor-executivo e roteirista.

Em manifestações anteriores, o deputado negou irregularidades e afirmou que os recursos de suas emendas foram destinados a projetos de finalidade social.

Investigação continua

Entre os possíveis crimes apurados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações relacionadas a licitações e contratações públicas.

Os documentos, celulares, computadores e demais materiais recolhidos durante a Operação Make Up serão analisados pela Polícia Federal.

A próxima etapa deverá concentrar-se no rastreamento das movimentações financeiras e na individualização das condutas. As medidas cautelares e os mandados de busca não representam condenação, e eventuais responsabilidades ainda dependem da conclusão das investigações e das etapas posteriores do processo.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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