CNJ determina afastamento de desembargador do TJMG durante apuração de denúncias

Magistrado também foi alvo de operação da Polícia Federal após questionamentos sobre atuação judicial.

Conselho Nacional de Justiça afasta desembargador do TJMG enquanto investiga denúncias e possíveis irregularidades na atuação do magistrado.

Juarez Rodrigues/TJMG

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou, nesta sexta-feira (27), o afastamento cautelar do desembargador Magid Nauef Láuar, integrante da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A medida ocorre no contexto de investigações conduzidas pelo órgão disciplinar do Judiciário, com apoio da Polícia Federal.

O afastamento foi decidido após o magistrado se tornar alvo de representações e pedidos formais de investigação relacionados a um voto que resultou na absolvição de um homem acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 12 anos. Na mesma decisão, também havia sido absolvida a mãe da vítima, apontada no processo como possível participante ou omissa diante do crime.

A decisão judicial provocou ampla repercussão pública e motivou o envio de denúncias ao CNJ. Segundo o conselho, novas acusações surgiram após a divulgação do caso, indicando que o desembargador teria cometido supostos crimes sexuais durante períodos anteriores de sua carreira, quando atuou como juiz nas comarcas de Ouro Preto e Betim, em Minas Gerais.

A Corregedoria Nacional de Justiça informou que cinco mulheres que se apresentam como vítimas já prestaram depoimento. A análise preliminar apontou a existência de fatos recentes ainda passíveis de responsabilização legal, o que levou à continuidade das apurações.

Como medida preventiva, o CNJ determinou o afastamento do magistrado de suas funções para preservar o andamento das investigações e impedir qualquer interferência no processo.

Mudança de decisão

Antes do afastamento, o desembargador havia revisado sua própria posição no caso que gerou a controvérsia. Em decisão individual proferida na quarta-feira (25), ele restabeleceu a sentença de primeira instância que condenava o acusado e a mãe da adolescente, além de determinar a prisão dos envolvidos.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou, por meio de nota, que o desembargador não irá se manifestar publicamente enquanto as investigações estiverem em andamento.

*Da Agência: Fonte Exclusiva

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