Alckmin diz que redução tarifária dos EUA é avanço, mas cobra fim de sobretaxa imposta ao Brasil

Vice-presidente atribui progressos à articulação entre Lula, Trump e o Itamaraty, mas afirma que tarifa extra de 40% ainda prejudica exportadores brasileiros.

Redução tarifária dos EUA beneficia exportações brasileiras, mas sobretaxa de 40% ainda limita avanço

vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Imagem: Agência Brasil

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou como “positiva” a decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios. Apesar disso, afirmou que a manutenção da sobretaxa de 40% aplicada exclusivamente ao Brasil segue como um fator de distorção e dificulta a competitividade das exportações nacionais.

“Há uma distorção que precisa ser corrigida. Todo mundo teve 10 pontos percentuais a menos. Só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto”, disse Alckmin neste sábado (15), no Palácio do Planalto. Ele destacou que setores como o suco de laranja foram amplamente beneficiados — a tarifa de 10% foi zerada — o que pode agregar US$ 1,2 bilhão às exportações brasileiras.

No entanto, o vice-presidente chamou atenção para discrepâncias em relação a países concorrentes. No caso do café, por exemplo, a tarifa brasileira caiu de 50% para 40%, enquanto competidores como o Vietnã tiveram reduções mais expressivas. “Esse é o empenho que tem que ser feito agora: melhorar a competitividade”, afirmou.

Tarifa global retirada, mas sobretaxa ao Brasil permanece

A mudança ocorre após o governo americano anunciar, na noite de sexta-feira (14), a retirada da chamada tarifa global de reciprocidade, criada em abril. Para a maior parte dos países latino-americanos, a alíquota adicional era de 10%. Mas a sobretaxa de 40% imposta em julho sobre produtos brasileiros continua válida.

Com isso, tarifas aplicadas a itens como café, carne bovina, frutas e castanhas passaram de 50% para 40% — uma redução considerada tímida pelo governo brasileiro.

Alckmin ressaltou que os EUA mantêm superávit na relação comercial com o Brasil e defendeu que o país não representa ameaça ao mercado americano. “O Brasil não é problema; é solução”, declarou.

Avanços diplomáticos e negociações

O vice-presidente atribuiu o avanço parcial às recentes conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, além de reuniões envolvendo o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

“A última ordem executiva do presidente Trump foi positiva e na direção correta. Vamos continuar trabalhando”, afirmou Alckmin.

Impactos por setor

A retirada da tarifa global ampliou de 23% para 26% o volume das exportações brasileiras para os EUA que agora estão livres de sobretaxas — o equivalente a US$ 10 bilhões.

A medida ocorre após o período do chamado “tarifaço”, quando o déficit brasileiro com os EUA cresceu 341% entre agosto e outubro.

Veja como as mudanças afetam alguns setores

Posição dos EUA

O governo norte-americano afirma que a redução tarifária tem como objetivo conter a inflação de alimentos e ampliar a oferta interna. Trump classificou o ajuste como “um pequeno recuo” e disse não ver necessidade de novas reduções no curto prazo, embora espere queda nos preços de itens como o café.

Outras reduções recentes

Alckmin também mencionou outras revisões tarifárias ocorridas ao longo dos últimos meses. Em setembro, os EUA retiraram a tarifa global de 10% e a sobretaxa de 40% sobre ferro-níquel e celulose. Já no início de outubro, houve reduções de:

Essas mudanças foram feitas com base na Seção 232 da Lei de Comércio dos EUA, que permite ajustes tarifários para preservar a segurança comercial do país.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

Sair da versão mobile