O futebol brasileiro terá uma pausa inédita em 2027 por causa da realização da Copa do Mundo Feminina no país. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) comunicou aos clubes nesta terça-feira (4) que as competições nacionais deverão ser interrompidas entre 24 de junho e 25 de julho, período reservado para a disputa do Mundial.
A paralisação deverá afetar os torneios masculinos e femininos. A CBF ainda está elaborando o calendário completo da temporada de 2027 e terá de reorganizar as datas das competições para acomodar o intervalo provocado pela competição internacional.
A interrupção está relacionada à necessidade de disponibilizar infraestrutura e estádios para a realização do Mundial, além de evitar conflitos entre as partidas da Copa e os campeonatos nacionais.
Copa terá 32 seleções e 64 jogos
A edição de 2027 contará com 32 seleções e terá 64 partidas ao longo da competição. Será a primeira vez que o Brasil receberá uma Copa do Mundo Feminina.
O torneio será realizado em oito cidades brasileiras. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília e Porto Alegre foram escolhidas como sedes depois de uma seleção que inicialmente reunia 12 candidaturas.
As cidades escolhidas terão papel central na organização da competição, que deverá movimentar não apenas o setor esportivo, mas também áreas como turismo, transporte, hotelaria e serviços.
Estádios serão entregues à FIFA antes do Mundial
A preparação para a Copa também terá consequências para os clubes que utilizam os estádios selecionados para os jogos.
Algumas das arenas escolhidas fazem parte da rotina de equipes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Esses locais deverão ser disponibilizados à FIFA semanas antes do início do Mundial para que sejam realizados os preparativos necessários para a competição.
Durante esse período, os estádios ficarão indisponíveis para os clubes. Com isso, o impacto sobre o futebol nacional poderá começar antes mesmo da paralisação oficial prevista entre 24 de junho e 25 de julho.
A CBF precisará considerar essa janela de preparação ao elaborar o calendário definitivo de 2027, incluindo possíveis alterações nas datas das competições e na logística dos clubes.
FIFA mira recorde de público no Mundial
A organização da Copa do Mundo Feminina também trabalha com a expectativa de estabelecer uma nova marca de público nos estádios.
A FIFA pretende superar o número registrado na edição de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia. O torneio anterior levou mais de 2 milhões de torcedores às arenas, alcançando média aproximada de 33 mil espectadores por partida.
A expectativa de crescimento da procura foi destacada por Thiago Jannuzzi, diretor da FIFA, durante o painel “A Copa do Mundo de 2027 já começou”, realizado na Rio Innovation Week, no Rio de Janeiro.
Segundo o dirigente, o interesse pelo Mundial já é elevado mesmo antes da abertura oficial da venda de ingressos. Mais de 730 mil pessoas já teriam realizado cadastro com intenção de adquirir entradas.
A procura, conforme Jannuzzi, está dividida de maneira aproximada entre brasileiros e torcedores de outros países. México, Estados Unidos, Argentina e Colômbia estão entre os mercados estrangeiros com maior interesse.
“Hoje nós já temos mais de 730 mil pessoas inscritas para adquirir ingresso. Metade brasileiro, metade de estrangeiros. Com muita procura do México, EUA, Argentina e Colômbia”, afirmou.
Calendário de 2027 ainda será detalhado
A pausa anunciada pela CBF é uma das primeiras definições sobre os efeitos da Copa do Mundo Feminina na temporada nacional. A entidade ainda precisa concluir o calendário de 2027 e estabelecer como os campeonatos serão redistribuídos antes e depois do Mundial.
A disponibilidade dos estádios para a FIFA também exigirá planejamento antecipado dos clubes que utilizam as arenas selecionadas. Em alguns casos, as equipes poderão precisar buscar alternativas para mandar seus jogos durante o período de preparação.
Com oito cidades-sede, 32 seleções e 64 partidas, a Copa do Mundo Feminina de 2027 terá impacto direto sobre a programação do futebol nacional. Enquanto a CBF trabalha para reorganizar as competições, a FIFA aposta no Brasil para ampliar o alcance do futebol feminino e tentar estabelecer um novo recorde de público na história do torneio.
*Da Agência Fonte Exclusiva
