Trump anuncia restrições a vistos de estudantes e jornalistas estrangeiros

Proposta do governo americano limita permanência de estudantes internacionais a quatro anos e reduz prazo para profissionais da imprensa.

Governo Trump propõe limitar a permanência de estudantes e jornalistas estrangeiros nos EUA, medida criticada por universidades que alertam para impacto na competitividade acadêmica.

Com as novas regras, jornalistas estrangeiros poderão permanecer apenas 240 dias nos EUA (Foto: Alex Brandon/AP Photo/picture alliance )

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (28/07) uma proposta para impor novas restrições aos vistos de estudantes e jornalistas estrangeiros. A medida faz parte de um esforço mais amplo para conter a imigração irregular no país.

Segundo a proposta, os portadores de visto F, destinado a estudantes internacionais, não poderão permanecer em território americano por mais de quatro anos. Já os vistos J, voltados a programas de intercâmbio cultural, e os vistos I, concedidos a profissionais da imprensa, também terão prazo reduzido. Para jornalistas estrangeiros, o limite será de 240 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 240 dias — no caso de jornalistas chineses, o tempo máximo permitido será de apenas 90 dias.

Até agora, os Estados Unidos emitiam vistos que cobriam a duração do programa educacional ou da missão jornalística, embora nenhum deles fosse válido por mais de 10 anos. Em 2023, havia cerca de 1,6 milhão de estudantes internacionais com visto F no país, de acordo com dados oficiais.

O Departamento de Segurança Interna justificou a decisão afirmando que muitos estrangeiros estariam utilizando brechas para permanecer no país como “estudantes eternos”. O órgão alega que essa permanência prolongada geraria riscos à segurança e custos para os contribuintes.

Críticos, no entanto, apontam que a medida pode enfraquecer a competitividade acadêmica dos EUA. Instituições de ensino superior afirmam que estudantes internacionais são essenciais para pesquisa, inovação e geração de empregos, além de terem contribuído com mais de US$ 50 bilhões para a economia americana em 2023.

A Aliança de Presidentes para o Ensino Superior e Imigração classificou a proposta como um retrocesso. “Esta decisão envia uma mensagem clara de que as contribuições de estudantes e profissionais estrangeiros não são valorizadas nos Estados Unidos”, afirmou Miriam Feldblum, presidente da entidade.

O anúncio ocorre em um momento de queda nas matrículas de estudantes internacionais, reflexo de medidas anteriores da Casa Branca. Apesar disso, Trump chegou a surpreender sua própria base ao sugerir que gostaria de dobrar o número de estudantes chineses no país, em contraste com posições mais rígidas defendidas por aliados como o secretário de Estado, Marco Rubio.

Além das mudanças nos vistos, o governo também suspendeu verbas para pesquisas universitárias, justificando a decisão como resposta ao que considera falhas das instituições no combate ao antissemitismo. O Congresso, por sua vez, elevou os impostos sobre doações feitas a universidades privadas.

Da Agência Fonte Exclusiva.

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