Prédios públicos danificados, estabelecimentos comerciais saqueados e confrontos com a polícia marcaram uma série de manifestações realizadas neste sábado (17) na França. Os atos, motivados principalmente pela insatisfação com o custo de vida, mobilizaram centenas de milhares de pessoas e terminaram em episódios de violência em Paris e em outras cidades do país.
Na capital francesa, manifestantes ergueram barricadas e provocaram incêndios em diferentes bairros. Para conter os distúrbios, as forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo e jatos d’água. Grupos mascarados reagiram lançando objetos e fogos de artifício contra os agentes, segundo informações divulgadas pela agência AFP.
O prefeito do distrito central de Paris, Ariel Weil, afirmou à emissora BFMTV ter presenciado cenas de saques que considerou incomuns em sua experiência durante protestos. A mobilização também levou grupos às proximidades do Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, cuja área foi protegida por barreiras policiais.
Incêndios e depredações atingem outras cidades
A violência também foi registrada fora da capital. Em Marselha, manifestantes entraram na prefeitura, derrubaram um busto e danificaram móveis e instalações. Em Lyon, jovens mascarados incendiaram um posto de informações turísticas, enquanto Lille registrou invasão e atos de vandalismo na sede da prefeitura.
Em Limoges, um incêndio atingiu o prédio histórico da prefeitura, construído em 1876. Apesar da mobilização dos bombeiros, parte significativa da estrutura acabou desabando horas após o início das chamas.
Bordeaux, Nantes, Saint-Étienne e Nice também registraram distúrbios durante a jornada de manifestações, ampliando a preocupação das autoridades com os danos provocados em diferentes regiões francesas.
Governo divulga balanço de detenções e feridos
O número de participantes variou conforme a fonte. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, estimou que aproximadamente 550 mil pessoas participaram dos atos em todo o país, sendo cerca de 110 mil em Paris. Os organizadores, por sua vez, calcularam a presença de 800 mil manifestantes.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou que cerca de 1,2 mil pessoas foram detidas em decorrência dos protestos. Segundo o balanço divulgado pelo governo, mais de 150 policiais ficaram feridos durante os confrontos.
Lecornu condenou os episódios de violência e afirmou que esse tipo de comportamento é inaceitável. O presidente Emmanuel Macron também advertiu que os envolvidos em saques, ataques a estabelecimentos comerciais e depredações de prédios públicos poderão ser responsabilizados judicialmente.
Insatisfação social aumenta pressão política
A mobilização ocorre em meio à insatisfação com o custo de vida e às reivindicações de diferentes grupos sociais. Entre os participantes estão integrantes do movimento dos coletes amarelos, que ganhou projeção nacional em 2018 com manifestações contra o aumento dos impostos sobre combustíveis e a perda do poder de compra.
Os protestos também se somam a mobilizações estudantis e a críticas relacionadas às condições dos serviços públicos. Embora as manifestações reúnam pessoas com diferentes reivindicações, os episódios de vandalismo e violência passaram a ocupar espaço central no debate sobre a resposta do governo francês à crise social.
Com a eleição presidencial prevista para 2027, a sequência de protestos aumenta a pressão sobre as autoridades e mantém em evidência temas como inflação, renda, serviços públicos e segurança. O governo afirma que os responsáveis por incêndios, saques e ataques serão investigados, enquanto a dimensão da mobilização demonstra a continuidade da insatisfação de parte da população francesa.
*Da Agência Fonte Exclusiva
