A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira que disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que uma eventual intervenção militar norte-americana contra cartéis de drogas em território mexicano é “desnecessária”. Segundo ela, os dois governos concordaram em manter a cooperação em segurança respeitando a soberania do país.
De acordo com Sheinbaum, a conversa telefônica com Trump durou cerca de 15 minutos e foi “muito boa”. Durante o diálogo, os dois líderes reforçaram o compromisso de continuar trabalhando juntos no combate ao crime organizado, sem a necessidade de ações militares dos EUA dentro do México.
A ligação ocorreu após declarações recentes de Trump, que voltou a afirmar que os cartéis controlam o México e disse estar disposto a enfrentá-los “no terreno”. O tom ganhou ainda mais repercussão depois da ação dos Estados Unidos que resultou na retirada do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o que aumentou a atenção sobre comentários de Trump envolvendo outros países, como México, Cuba e Groenlândia.
Sheinbaum relatou que Trump perguntou sua opinião sobre a atuação dos EUA na Venezuela. “Eu disse muito claramente que nossa Constituição é clara ao rejeitar intervenções. Não concordamos com esse tipo de ação”, afirmou a presidente mexicana. Segundo ela, Trump voltou a insistir que os EUA poderiam ajudar militarmente caso o México solicitasse, mas a resposta foi novamente negativa.
“Dissemos a ele que, até agora, o trabalho está indo bem, que não é necessário esse tipo de intervenção e que, além disso, é preciso respeitar a soberania e a integridade territorial do México. Ele entendeu”, disse Sheinbaum.
As declarações contrastam com uma entrevista concedida por Trump à Fox News na semana passada, na qual o presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos eliminaram 97% das drogas que entram por via marítima e que pretendem intensificar ações contra os cartéis, alegando que eles “estão comandando o México”.
Apesar do discurso, Sheinbaum destacou que houve consenso sobre a continuidade da cooperação bilateral. No domingo, o chanceler mexicano Juan Ramón de la Fuente também conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o Departamento de Estado, Rubio pediu “resultados tangíveis” e maior colaboração para desmantelar organizações criminosas.
A presidente mexicana afirmou que seu governo apresentou dados que indicam avanços, como a redução dos homicídios no país, a queda nas apreensões de fentanil nos Estados Unidos e a diminuição das mortes por overdose relacionadas à droga.
Especialistas avaliam que uma intervenção militar dos EUA no México é improvável, já que o país vem atendendo a demandas de Washington e é um parceiro econômico estratégico. Ainda assim, analistas acreditam que Trump continuará usando uma retórica mais dura como forma de pressionar o governo mexicano a intensificar o combate ao narcotráfico.
Sheinbaum também afirmou que, durante a conversa, não foram discutidas questões relacionadas a Cuba, apesar de ameaças recentes de Trump ao país. O México é um aliado histórico da nação caribenha e tem fornecido petróleo, especialmente diante das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações da Venezuela para a ilha.
*Da Agência Fonte Exclusiva
