O Peru atingiu um marco sombrio em sua história política: quatro ex-presidentes estão presos simultaneamente no presídio de Barbadillo, em Lima. O mais recente a ingressar na lista foi Martín Vizcarra, detido na quarta-feira (13/8) sob acusações de recebimento de propina quando era governador regional de Moquegua. Ele se junta a Alejandro Toledo, Pedro Castillo e Ollanta Humala na mesma unidade prisional, que já abrigou também o ex-presidente Alberto Fujimori por 16 anos.
A prisão de Vizcarra ocorreu após a Justiça peruana considerar existir risco de fuga, em um caso que envolve supostos subornos de empresas contratadas para obras públicas. O ex-mandatário, que governou o país entre 2018 e 2020, nega as acusações e tentava reverter inelegibilidade de dez anos para concorrer em 2026.
Presídio de elite para ex-presidentes
Inaugurado originalmente para receber Fujimori – condenado por crimes contra a humanidade -, o complexo de Barbadillo viu sua população crescer com os desdobramentos da Operação Lava Jato no Peru:
-
Alejandro Toledo: 20 anos por lavagem de dinheiro (caso Odebrecht)
-
Ollanta Humala: 15 anos por corrupção (Odebrecht)
-
Pedro Castillo: detido desde 2022 por tentativa de golpe
Histórico de condenações
Nas últimas duas décadas, o Peru viu seis de seus ex-presidentes serem presos:
-
Alberto Fujimori (1990-2000) – crimes contra humanidade
-
Ollanta Humala (2011-2016) – corrupção
-
Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) – prisão domiciliar
-
Alejandro Toledo (2001-2006) – lavagem de dinheiro
-
Pedro Castillo (2021-2022) – tentativa de golpe
-
Martín Vizcarra (2018-2020) – suborno
O ex-presidente Alan García (1985-1990 e 2006-2011) escapou da prisão ao cometer suicídio em 2019, quando policiais chegavam para prendê-lo no escândalo Odebrecht.
Crise política permanente
Desde o fim da ditadura militar em 1980, apenas quatro dos onze presidentes peruanos não enfrentaram processos judiciais após seus mandatos. Os sucessivos escândalos revelam uma profunda crise institucional no país, onde sete dos últimos líderes enfrentaram prisão, prisão domiciliar ou morte antes da detenção.
Enquanto isso, o presídio de Barbadillo segue como símbolo dessa instabilidade – um local projetado para um único hóspede de alto nível que hoje abriga quatro ex-presidentes simultaneamente, todos aguardando julgamento ou cumprindo penas por crimes cometidos durante ou após seus governos.
Fontes: Justiça peruana, registros penitenciários, agências de notícias.
Da Agência Fonte Exclusiva.
