Morte de El Mencho expõe fragilidade da sucessão e ameaça estabilidade entre cartéis mexicanos

Vácuo de poder dentro do CJNG pode gerar nova onda de violência e reorganização do narcotráfico no país.

Quem pode assumir o CJNG após a morte de El Mencho? Entenda a disputa pelo poder

📸 Reprodução / RT

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido internacionalmente como El Mencho, provoca incerteza dentro do Cártel Jalisco Nova Geração (CJNG) e pode alterar o equilíbrio do crime organizado no México. Considerado durante anos um dos narcotraficantes mais poderosos do mundo, o líder construiu uma organização criminosa altamente estruturada e marcada pelo uso extremo da violência.

Autoridades e analistas de segurança avaliam que a ausência do chefe do cartel cria um cenário de disputa interna pelo controle da organização e por áreas estratégicas do tráfico de drogas, especialmente em regiões dominadas pelo CJNG.

Quem era El Mencho

El Mencho ganhou notoriedade ao transformar o CJNG em uma das maiores forças do narcotráfico internacional. Ex-integrante das forças policiais locais no estado de Jalisco, ele passou a atuar no crime organizado após a fragmentação de cartéis tradicionais mexicanos.

Sob seu comando, o CJNG expandiu operações para diferentes estados do México e consolidou rotas internacionais de tráfico, com presença na América do Norte, América Latina, Europa e Ásia. O grupo também passou a utilizar estratégias militares, incluindo treinamento armado, propaganda digital e domínio territorial violento.

Durante anos, o governo dos Estados Unidos classificou El Mencho como um dos criminosos mais procurados do planeta, oferecendo recompensa milionária por informações que levassem à sua captura.

Sucessão enfrenta obstáculos

A sucessão direta dentro da família enfrenta dificuldades. O filho do narcotraficante, Rubén Oseguera González, conhecido como El Menchito, cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos, o que impede sua ascensão natural ao comando da organização.

Sem um herdeiro imediato, cresce a possibilidade de disputa entre líderes regionais e operadores estratégicos do cartel, cenário que historicamente resulta em confrontos armados e reorganização das alianças criminosas.

Possíveis sucessores do CJNG

Diversos nomes são apontados como potenciais líderes do grupo:

Juan Carlos Valencia González, conhecido como El 03 ou R3
Apontado como coordenador do Grupo Élite, braço armado responsável por operações ofensivas e controle territorial. Ele é considerado um dos principais candidatos ao comando e é alvo de recompensa de até 5 milhões de dólares oferecida pela agência antidrogas dos Estados Unidos.

Audias Flores Silva, o El Jardinero
Associado à administração territorial do CJNG, atuando na proteção de áreas estratégicas e na manutenção das atividades operacionais do cartel.

Gonzalo Mendoza Gaytán, chamado de El Sapo
Ligado à ala militar da organização, com influência sobre recrutamento, treinamento e disciplina dos integrantes armados.

Julio Alberto Castillo Rodríguez, conhecido como El Chorro
Genro de El Mencho, possui atuação relevante nas operações financeiras e logísticas do grupo, principalmente no porto de Manzanillo, considerado ponto estratégico para o tráfico internacional.

Ricardo Ruiz Velasco, o Doble R
Responsável por operações na região metropolitana de Guadalajara, um dos principais centros operacionais do CJNG.

Impactos para a segurança no México

Especialistas em segurança pública alertam que a morte de grandes líderes do narcotráfico raramente representa o enfraquecimento imediato das organizações criminosas. Em muitos casos, o resultado é o aumento da violência, impulsionado por disputas internas e tentativas de expansão territorial por cartéis rivais.

O CJNG possui estrutura descentralizada, formada por células regionais com relativa autonomia. Essa característica pode dificultar uma sucessão rápida e favorecer confrontos entre facções internas.

Nos próximos meses, o cenário mexicano pode enfrentar uma reconfiguração do poder criminal, com reflexos diretos na segurança pública, no controle de rotas de drogas e na atuação das forças de segurança nacionais e internacionais.

A definição do novo comando do CJNG será decisiva para o futuro da organização e para o nível de estabilidade nas regiões onde o cartel mantém influência.

*Da Agência: Fonte Exclusiva

Sair da versão mobile