Moraes entra na lista de sanções dos EUA ao lado de políticos corruptos e violadores de direitos humanos

Ministro do STF foi incluído na lista de Cidadãos Especialmente Designados com base na Lei Magnitsky

Alexandre de Moraes, ministro do STF, foi sancionado pelos EUA sob a Lei Magnitsky. Ele aparece ao lado de líderes de regimes autoritários, criminosos e violadores de direitos humanos. Entenda quem mais está na lista.

Ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes foi alvo das sanções americanas (MANDEL NGAN/AFP via Getty Image )

Nesta quarta-feira (30), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi incluído pelo governo dos Estados Unidos na lista de Cidadãos Especialmente Designados (SDN) com base na Lei Global Magnitsky. A norma, usada para punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos, é considerada uma das sanções mais rígidas aplicadas pelo país.

A inclusão de Moraes foi realizada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro dos EUA, sob orientação do ex-presidente Donald Trump. A Lei Magnitsky tem sido amplamente utilizada para atingir figuras ligadas a regimes considerados autoritários por Washington.

A lista de sancionados inclui centenas de indivíduos e entidades de diversos países, como:

Presença brasileira na lista

Além de Moraes, outros nomes e grupos ligados ao Brasil já constam na lista SDN. Entre eles:

As sanções também atingem líderes de Estado como Nicolás Maduro (Venezuela), Vladimir Putin (Rússia), Aleksandr Lukashenko (Belarus) e Kim Jong-un (Coreia do Norte).

Origem da Lei Magnitsky

Criada em 2012 durante o governo de Barack Obama, a lei recebeu esse nome em homenagem ao advogado russo Sergei Magnitsky, que morreu sob custódia após denunciar corrupção estatal. Inicialmente focada em punir os responsáveis diretos por sua morte, a lei teve seu escopo ampliado em 2016, permitindo sanções a qualquer indivíduo ou entidade acusada de corrupção ou violações de direitos humanos.

As consequências da inclusão na lista SDN são severas: os alvos têm seus bens congelados nos EUA, ficam impedidos de abrir contas em bancos americanos e as instituições financeiras são obrigadas a comunicar qualquer movimentação ao governo.

Sanção a juízes: medida rara

Segundo Adam Keith, diretor da organização Human Rights First, sediada nos EUA, é raro que juízes sejam incluídos na lista, e isso costuma ocorrer apenas em regimes sem independência do Judiciário ou quando os magistrados se tornam cúmplices em abusos de direitos humanos.

“As sanções da Lei Magnitsky têm como foco responsabilizar autores de corrupção e violações graves, geralmente violentas. Fora desses contextos, aplicar sanções a um juiz por decisões judiciais é uma medida incomum e sem precedentes”, afirmou Keith à BBC News Brasil, antes da confirmação oficial da sanção a Moraes.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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