Lula defende transição energética e alerta sobre inteligência artificial em evento na Alemanha

Presidente apresenta agenda ambiental e econômica na Hannover Messe e cobra cooperação global diante de crises.

Em discurso na Hannover Messe, Lula destaca energia limpa, acordo com a União Europeia e alerta sobre impactos da inteligência artificial e conflitos globais.

Imagem: Reprodução/ Ricardo Stuckert / PR

Durante participação na Hannover Messe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma agenda centrada na transição energética, cooperação internacional e nos efeitos sociais das novas tecnologias.

O discurso abordou temas que vão da economia à geopolítica, com ênfase na necessidade de articulação entre países.

Lula destacou o papel do Brasil como parceiro estratégico para a União Europeia, especialmente no fornecimento de energia limpa e na redução de custos industriais.

Segundo ele, o avanço dessa parceria depende do reconhecimento da matriz energética brasileira, majoritariamente renovável. O presidente também criticou o que classificou como narrativas distorcidas sobre a sustentabilidade da agropecuária nacional e possíveis barreiras à entrada de biocombustíveis no mercado europeu.

Ao comentar o cenário internacional, Lula mencionou tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, apontando impactos indiretos desses conflitos, como a elevação dos preços do petróleo e dificuldades no acesso a fertilizantes.

Segundo ele, essas consequências atingem principalmente populações mais vulneráveis, ao pressionar custos de alimentos e energia.

O presidente também criticou os elevados gastos militares globais e cobrou maior responsabilidade dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — formado por Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — na busca por soluções diplomáticas.

No campo tecnológico, Lula afirmou que o país prepara, a partir de 2026, iniciativas voltadas à economia verde e à chamada Indústria 4.0.

Ele também alertou para os riscos associados ao uso da inteligência artificial, especialmente em aplicações militares sem regulamentação adequada.

A questão do emprego foi outro ponto central. O presidente defendeu a proteção dos trabalhadores diante das transformações tecnológicas e voltou a mencionar propostas como a redução da jornada de trabalho, destacando a necessidade de equilibrar inovação e inclusão social.

No comércio internacional, Lula criticou a estagnação da Organização Mundial do Comércio e sugeriu reformas na instituição.

Ele também ressaltou a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia, que, segundo afirmou, pode ampliar mercados e fortalecer relações econômicas.

Na área ambiental, o presidente reafirmou o compromisso do Brasil com o desmatamento zero até 2030, citando reduções recentes na devastação da Amazônia e do Cerrado.

Ele também destacou o uso de biocombustíveis e o potencial do país na produção de hidrogênio verde.

Por fim, Lula mencionou a importância estratégica de recursos minerais brasileiros, como nióbio, grafita, terras raras e níquel, fundamentais para a transição energética e digital.

Segundo ele, o objetivo é ampliar parcerias internacionais que incluam transferência de tecnologia e agregação de valor à produção nacional.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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