Brasileiros não precisarão mais de visto para ingressar na Guiana Francesa. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (1º) pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e da França, Jean-Noël Barrot, durante reunião realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.
A medida representa uma mudança significativa para os moradores da região de fronteira, especialmente no estado do Amapá, que há anos reivindicava a flexibilização das regras de entrada no território ultramarino francês.
Até então, apesar da existência da Ponte Binacional sobre o rio Oiapoque, que liga o município de Oiapoque (AP) à cidade de Saint-Georges-de-l’Oyapock, na Guiana Francesa, os brasileiros eram obrigados a obter visto para cruzar a fronteira. A exigência afetava trabalhadores, estudantes, comerciantes e moradores que circulam com frequência entre os dois territórios.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a decisão atende a uma demanda histórica das autoridades amapaenses, que defendiam a eliminação da exigência para fortalecer a integração regional e facilitar o deslocamento na faixa de fronteira.
Além do anúncio sobre a isenção de visto, Brasil e França assinaram um Plano de Ação voltado à ampliação da cooperação na área de segurança pública.
Os dois países também firmaram declarações conjuntas sobre a gestão compartilhada da bacia do rio Oiapoque e iniciativas para ampliar o intercâmbio entre diplomatas brasileiros e franceses.
Durante o encontro, os chanceleres discutiram ainda o fortalecimento das relações comerciais e econômicas, incluindo o avanço das negociações envolvendo o acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
De acordo com o Itamaraty, a França figura entre os principais investidores estrangeiros no Brasil, com aproximadamente US$ 69 bilhões em investimentos. O comércio bilateral também alcançou um marco histórico em 2025, movimentando cerca de US$ 10,3 bilhões.
Ao término da reunião, Mauro Vieira e Jean-Noël Barrot divulgaram uma declaração conjunta reafirmando o compromisso dos dois governos com o fortalecimento do multilateralismo, da diplomacia e do respeito ao direito internacional como caminhos para a promoção da paz e da cooperação entre as nações.
*Da Agência Fonte Exclusiva
