EUA dizem que apreensão de petroleiro seguirá trâmite legal; Venezuela fala em pirataria

Washington afirma que tripulação está sendo interrogada e que carga depende de decisão judicial; aliados de Caracas denunciam violação internacional.

Apreensão de petroleiro pelos EUA provoca reação dura da Venezuela

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A Casa Branca informou nesta quinta-feira (11) que o petroleiro interceptado por forças americanas na costa da Venezuela está “em processo de apreensão” e que sua tripulação está sendo interrogada por equipes federais. A confirmação foi dada pela porta-voz Karoline Leavitt durante coletiva de imprensa.

Segundo Leavitt, o Departamento de Justiça atuou em conjunto com a Guarda Costeira e o Departamento de Guerra para executar a operação. “Neste momento, a embarcação foi apreendida. Pessoas a bordo estão sendo interrogadas e quaisquer provas relevantes estão sendo recolhidas”, afirmou.

A porta-voz também esclareceu que o destino da carga ainda depende de um trâmite judicial, contrapondo declarações feitas pelo presidente Donald Trump no dia anterior. Trump havia sugerido que os Estados Unidos ficariam com o petróleo. “O navio seguirá para um porto americano e os Estados Unidos pretendem apreender o petróleo, mas existe um processo legal que deve ser cumprido”, disse Leavitt.

Reação venezuelana: acusações de pirataria

O governo da Venezuela repudiou a ação, classificando-a como “roubo descarado” e “ato de pirataria internacional”. Em nota, Caracas afirmou que a apreensão expõe os reais interesses de Washington. “Não é migração. Não é narcotráfico. Não é democracia. Sempre se tratou das nossas riquezas naturais, do nosso petróleo e da nossa energia”, disse o comunicado.

O episódio remete a declarações de 2024, quando Trump afirmou publicamente desejar acesso ao petróleo venezuelano “sem pagar contrapartida”.

Apoio de aliados internacionais

Cuba se manifestou de forma contundente. O chanceler Bruno Rodríguez Parilla condenou o “ato vil de pirataria” e afirmou que os EUA violam regras de livre comércio e navegação internacional.

A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) também repudiou a ação, classificando-a como “violação gravíssima do Direito Internacional” e um ataque direto à soberania venezuelana.

Posição da Rússia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Washington acusou o petroleiro de transportar petróleo cuja venda seria proibida. Ele observou, no entanto, que ainda há poucas informações concretas. Lavrov ironizou o fato de a petrolífera americana Chevron operar normalmente na Venezuela. “É preciso esclarecer quais volumes ilegais estavam nesse petroleiro”, disse.

O chanceler cobrou explicações formais de Washington sobre a base legal da operação.

Escalada de tensões

A apreensão ocorre em meio a uma série de ações militares e de inteligência dos Estados Unidos contra a Venezuela nos últimos meses.

Entre os pontos mais recentes estão:

O presidente Nicolás Maduro voltou a afirmar que os Estados Unidos buscam uma “mudança de regime” para controlar as reservas de petróleo e gás do país.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou os bombardeios feitos pelos EUA como violações graves e alertou que as mortes podem configurar “execuções sumárias”. Governos de Rússia, Colômbia, México e Brasil também criticaram a operação, pedindo respeito ao direito internacional e redução das tensões na região.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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