Em cúpula na Turquia, Trump volta a defender controle dos EUA sobre a Groenlândia

Governo dinamarquês reforçou que o território não está à venda e defendeu o respeito à soberania do Reino da Dinamarca

Cúpula da OTAN reúne debates sobre Groenlândia, gastos militares, tropas americanas e apoio à Ucrânia.

Imagem | Reprodução/Redes Sociais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender que a Groenlândia fique sob controle norte-americano, reacendendo uma disputa diplomática com a Dinamarca durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, realizada em Ancara, na Turquia.

A declaração foi feita na terça-feira (7), durante uma reunião com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, no primeiro dia do encontro. Trump afirmou que o território deveria ser controlado pelos Estados Unidos, e não pela Dinamarca.

A Groenlândia é um território semiautônomo que integra o Reino da Dinamarca. As manifestações de Trump sobre o interesse norte-americano na ilha começaram ainda durante seu primeiro mandato e voltaram a ganhar força nos últimos meses.

As declarações provocaram reação do governo dinamarquês e das autoridades groenlandesas. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que o país está preparado para defender todo o território que integra o reino e reiterou que a Groenlândia não está à venda.

O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, também rejeitou a posição apresentada pelo presidente dos Estados Unidos. A disputa passou a ser tratada por canais diplomáticos, mas as novas falas mostraram que o impasse permanece aberto.

Presença militar dos Estados Unidos em debate

Além da questão envolvendo a Groenlândia, o futuro da presença militar norte-americana na Europa esteve entre os temas que cercaram a reunião da OTAN.

O governo dos Estados Unidos vem analisando mudanças na distribuição de suas forças no continente. Em abril, Trump confirmou que uma possível redução do número de militares americanos estacionados na Alemanha estava em avaliação.

A movimentação tem provocado preocupação entre aliados europeus, que buscam evitar retiradas rápidas capazes de afetar os planos de defesa do continente.

Ao mesmo tempo, Washington pressiona os demais integrantes da aliança a ampliar os investimentos militares e assumir uma parcela maior dos custos relacionados à segurança europeia.

Países ampliam despesas com defesa

Durante a cúpula, os integrantes da OTAN procuraram demonstrar que estão respondendo às cobranças dos Estados Unidos. Segundo o secretário-geral da organização, Mark Rutte, os países europeus e o Canadá acrescentaram cerca de US$ 139 bilhões aos investimentos em defesa no período de um ano.

Contratos militares no valor de dezenas de bilhões de dólares também foram apresentados durante o encontro em Ancara. A iniciativa buscou reforçar a capacidade de defesa dos integrantes da aliança e demonstrar o aumento dos investimentos europeus no setor.

Rutte afirmou que eventuais mudanças na presença das forças norte-americanas deveriam ocorrer de forma coordenada e gradual, para evitar prejuízos à segurança regional.

OTAN reafirma defesa coletiva e apoio à Ucrânia

Apesar das divergências internas, os líderes da organização reafirmaram o compromisso com o princípio de defesa coletiva estabelecido pelo Artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte. Pelo dispositivo, um ataque contra um dos países integrantes é considerado uma agressão contra toda a aliança.

Os membros da OTAN também se comprometeram a destinar € 70 bilhões em equipamentos militares, assistência e treinamento para a Ucrânia ao longo de 2026. A declaração prevê ainda a intenção de manter um nível equivalente de apoio em 2027.

A combinação entre as declarações sobre a Groenlândia, as possíveis mudanças na presença militar norte-americana e as cobranças por mais investimentos em defesa evidenciou os desafios enfrentados pela aliança.

Embora os líderes tenham procurado transmitir uma imagem de unidade ao final da cúpula, as discussões demonstraram que permanecem as incertezas sobre a extensão do compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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