O calor extremo que atingiu a Europa Central nesta quarta-feira (2) provocou ao menos oito mortes, incêndios florestais, colapso em serviços de transporte e até a paralisação de um reator nuclear na Suíça.
As temperaturas ultrapassaram os 35 °C em cidades como Paris, Bruxelas, Frankfurt, Colônia e Budapeste, levando meteorologistas de vários países a emitirem alertas de saúde e risco climático. Em alguns locais, os termômetros chegaram aos 40 °C, marcando o dia mais quente do ano em países como a Alemanha.
Mortes e incêndios na Europa
Na Espanha, quatro pessoas morreram em razão do calor. Dois óbitos ocorreram durante um incêndio florestal na Catalunha e os outros dois foram registrados nas regiões de Córdoba e Extremadura. Na França, duas pessoas morreram e cerca de 300 foram hospitalizadas, segundo a ministra da Ecologia, Agnes Pannier-Runacher.
Na Itália, um trabalhador da construção civil de 47 anos morreu de insolação na Emília-Romagna, e outros dois idosos perderam a vida na Sardenha. O governo italiano proibiu trabalhos ao ar livre entre 11h e 16h em treze das vinte regiões do país.
Crise atinge agricultura e produção de energia
A produção agrícola também foi fortemente impactada. A associação italiana Coldiretti relatou que melões “cozinharam no pé” em regiões como Piemonte e Toscana. Houve perdas em lavouras de trigo, uva, cevada e berinjela, além de queda de 10% na produção de leite na Lombardia.
Na Suíça, a empresa Axpo desligou um reator da usina de Beznau e reduziu a operação de outro devido ao aumento da temperatura da água do rio usada para resfriamento.
Transportes interrompidos e escolas fechadas
Na Alemanha, o calor causou interrupções em linhas ferroviárias e rodoviárias, especialmente no estado da Renânia do Norte-Vestfália. Muitas escolas suspenderam as aulas, e os bombeiros combatem incêndios em Brandemburgo e Saxônia. A Deutsche Bahn alertou para riscos operacionais e danos aos equipamentos por conta do calor.
Cúpula de calor e impactos climáticos
Cientistas explicam que a onda de calor foi agravada por uma “cúpula térmica”, que aprisiona massas de ar quente. O fenômeno foi intensificado pelo aquecimento dos oceanos e pelas emissões de gases de efeito estufa.
“O calor extremo está testando nossa resiliência e colocando a saúde e a vida de milhões em risco”, alertou Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Prejuízos bilionários e perspectiva crítica
A Agência Europeia do Ambiente (AEA) estima que eventos climáticos extremos — como ondas de calor, enchentes e incêndios — custaram mais de 45 bilhões de euros à Europa apenas em 2023. Os países mais afetados foram Alemanha, Itália, França e Espanha.
Com ondas de calor se tornando mais frequentes e intensas, especialistas alertam que medidas de mitigação e adaptação climática são urgentes para evitar perdas humanas, ambientais e econômicas ainda maiores nos próximos anos.
*Da Agência Fonte Exclusiva
